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O Silêncio que custa caro: a urgência de uma voz para o esporte paranaense em Brasília

Por falta de deputados paranaenses na Comissão de Esporte da Câmara, Curitiba deixa de sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027

esporte paranaense
Fonte: David Rogério Batista

O Paraná é, indiscutivelmente, uma potência esportiva. De nossos tatames, quadras e pistas saíram e ainda saem campeões mundiais, medalhistas olímpicos e, acima de tudo, milhares de cidadãos formados pelos valores da disciplina e do esforço. No entanto, existe um descompasso perigoso: enquanto nossos atletas brilham no pódio, a representatividade paranaense no Congresso Nacional, especificamente voltada ao esporte, padece de um silêncio que custa caro ao estado.

Como ex-Secretário de Esporte de Curitiba e alguém que dedicou a vida à Educação e às artes marciais, vejo diariamente que o esporte não é apenas “lazer”. Ele é uma engrenagem econômica, uma ferramenta de saúde preventiva e um pilar para a Educação e para a Segurança Pública. Contudo, sem uma articulação técnica e política forte em Brasília, o Paraná continuará assistindo, da arquibancada, às grandes decisões e investimentos serem direcionados para outras regiões.

O custo da ausência: o exemplo da Copa do Mundo Feminina 2027

A prova mais recente e dolorosa dessa falta de peso político foi a exclusão de Curitiba como uma das sedes da Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027. É tecnicamente incompreensível que uma cidade com a infraestrutura da capital paranaense, dona de um dos estádios de esporte mais modernos do continente e de uma rede hoteleira e de transporte de excelência, tenha sido preterida.

Essa exclusão não é um erro técnico da FIFA ou da CBF; é o reflexo de uma baixa representatividade institucional no centro do poder. Quando não temos parlamentares paranaenses que ocupam a linha de frente da Comissão de Esporte na Câmara Federal, perdemos a capacidade de pressionar, de articular e de demonstrar o valor estratégico do nosso estado.

Para se compreender a veracidade deste fato, observe quais serão as cidades-sede da Copa do Mundo Feminina 2027: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Salvador e Porto Alegre. Agora observe um dado curioso: enquanto o Paraná não tem NENHUM deputado como membro titular da Comissão de Esporte da Câmara Federal, os estados que têm cidades-sede da Copa possuem as seguintes quantidades de deputados nesta comissão: 3 de São Paulo, 4 do Rio de Janeiro, 1 de Minas Gerais, 2 do Ceará, 2 do Pernambuco, 2 da Bahia e 2 do Rio Grande do Sul.

Resumindo: os estados que possuem deputados federais realmente dedicados à pauta do esporte, coincidentemente, conseguiram transformar suas capitais em sedes da Copa do Mundo Feminina de Futebol. Claro que não é coincidência! É uma questão de força e, consequentemente, influência política.

E qual o impacto de Curitiba não sediar a Copa.

  • Visibilidade e Turismo: perdemos a chance de expor nossa marca para bilhões de espectadores, deixando de atrair investimentos estrangeiros e fluxo turístico.
  • Incentivo e Legado: deixamos de receber recursos federais para modernização de centros de treinamento e programas de incentivo ao futebol feminino, que poderiam transformar a realidade de milhares de jovens paranaenses.
  • Fortalecimento Político: a ausência em grandes eventos sinaliza uma perda de protagonismo que afeta a captação de recursos para outras áreas do esporte, do escolar ao alto rendimento.

Consequências institucionais e sociais

A falta de representatividade do esporte paranaense em Brasília resulta em uma distribuição ineficiente de emendas e recursos orçamentários. Enquanto outros estados conseguem verbas vultosas para complexos poliesportivos e programas de base, o Paraná muitas vezes precisa “fazer muito com pouco”, dependendo quase exclusivamente de recursos municipais e estaduais.

Politicamente, isso gera um vácuo na formulação de políticas públicas. Se não estamos na mesa onde se discute a atualização da Lei Geral do Esporte ou os novos marcos da Lei de Incentivo, as necessidades específicas dos nossos clubes, federações e professores de educação física não são ouvidas e muito menos atendidas. O resultado é a aprovação de legislações que, por vezes, ignora as particularidades regionais do Sul do país.

O caminho para o fortalecimento

A solução não passa por discussões ideológicas vazias ou polarizações extremas, mas por um trabalho sério, inteligente e técnico. Precisamos de representantes que entendam que o esporte é uma ciência e uma estratégia de Estado.

Os caminhos para ampliar essa representatividade incluem:

  • Articulação Técnica: unificar o discurso entre federações, clubes e poder público estadual para que as demandas do Paraná cheguem a Brasília de forma estruturada.
  • Presença em Comissões Estratégicas: é vital que o Paraná ocupe cadeiras de liderança nas comissões de esporte e orçamento, garantindo que o estado não seja apenas um espectador, mas um protagonista na divisão do bolo federal.
  • Foco em Resultados: substituir políticos de mero engajamento de rede social por outros capazes de demonstra trabalho por meio de métricas de eficiência: que recursos foram captados? Quantas leis foram aprimoradas? Quantos centros de treinamento foram viabilizados? Quantos grandes eventos esportivos foram trazidos para o nosso estado?

Conclusão

O esporte paranaense não pode mais aceitar o papel de coadjuvante na política nacional. A exclusão de Curitiba da Copa de 2027 deve servir como um “puxão de orelha” necessário. É hora de levarmos para Brasília a mesma garra que nossos atletas mostram nas competições.

O Paraná precisa de uma voz que defenda seus atletas, paratletas, técnicos, entidades, federações e profissionais da Educação Física com a autoridade de quem conhece o chão da quadra e o trabalho político do gabinete. Somente com uma representação forte, racional e técnica poderemos garantir que o nosso estado receba o investimento e o respeito que seu talento merece. O esporte é uma bandeira essencial ao Paraná, e ela precisa ser fincada com força em Brasília.

*A opinião do colunista não reflete necessariamente a opinião do portal.