Saúde em 1'
Euler, o Cara do Esporte!
Por falta de deputados paranaenses na Comissão de Esporte da Câmara, Curitiba deixa de sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027
O Paraná é, indiscutivelmente, uma potência esportiva. De nossos tatames, quadras e pistas saíram e ainda saem campeões mundiais, medalhistas olímpicos e, acima de tudo, milhares de cidadãos formados pelos valores da disciplina e do esforço. No entanto, existe um descompasso perigoso: enquanto nossos atletas brilham no pódio, a representatividade paranaense no Congresso Nacional, especificamente voltada ao esporte, padece de um silêncio que custa caro ao estado.
Como ex-Secretário de Esporte de Curitiba e alguém que dedicou a vida à Educação e às artes marciais, vejo diariamente que o esporte não é apenas “lazer”. Ele é uma engrenagem econômica, uma ferramenta de saúde preventiva e um pilar para a Educação e para a Segurança Pública. Contudo, sem uma articulação técnica e política forte em Brasília, o Paraná continuará assistindo, da arquibancada, às grandes decisões e investimentos serem direcionados para outras regiões.
A prova mais recente e dolorosa dessa falta de peso político foi a exclusão de Curitiba como uma das sedes da Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027. É tecnicamente incompreensível que uma cidade com a infraestrutura da capital paranaense, dona de um dos estádios de esporte mais modernos do continente e de uma rede hoteleira e de transporte de excelência, tenha sido preterida.
Essa exclusão não é um erro técnico da FIFA ou da CBF; é o reflexo de uma baixa representatividade institucional no centro do poder. Quando não temos parlamentares paranaenses que ocupam a linha de frente da Comissão de Esporte na Câmara Federal, perdemos a capacidade de pressionar, de articular e de demonstrar o valor estratégico do nosso estado.
Para se compreender a veracidade deste fato, observe quais serão as cidades-sede da Copa do Mundo Feminina 2027: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Salvador e Porto Alegre. Agora observe um dado curioso: enquanto o Paraná não tem NENHUM deputado como membro titular da Comissão de Esporte da Câmara Federal, os estados que têm cidades-sede da Copa possuem as seguintes quantidades de deputados nesta comissão: 3 de São Paulo, 4 do Rio de Janeiro, 1 de Minas Gerais, 2 do Ceará, 2 do Pernambuco, 2 da Bahia e 2 do Rio Grande do Sul.
Resumindo: os estados que possuem deputados federais realmente dedicados à pauta do esporte, coincidentemente, conseguiram transformar suas capitais em sedes da Copa do Mundo Feminina de Futebol. Claro que não é coincidência! É uma questão de força e, consequentemente, influência política.
E qual o impacto de Curitiba não sediar a Copa.
A falta de representatividade do esporte paranaense em Brasília resulta em uma distribuição ineficiente de emendas e recursos orçamentários. Enquanto outros estados conseguem verbas vultosas para complexos poliesportivos e programas de base, o Paraná muitas vezes precisa “fazer muito com pouco”, dependendo quase exclusivamente de recursos municipais e estaduais.
Politicamente, isso gera um vácuo na formulação de políticas públicas. Se não estamos na mesa onde se discute a atualização da Lei Geral do Esporte ou os novos marcos da Lei de Incentivo, as necessidades específicas dos nossos clubes, federações e professores de educação física não são ouvidas e muito menos atendidas. O resultado é a aprovação de legislações que, por vezes, ignora as particularidades regionais do Sul do país.
A solução não passa por discussões ideológicas vazias ou polarizações extremas, mas por um trabalho sério, inteligente e técnico. Precisamos de representantes que entendam que o esporte é uma ciência e uma estratégia de Estado.
Os caminhos para ampliar essa representatividade incluem:
O esporte paranaense não pode mais aceitar o papel de coadjuvante na política nacional. A exclusão de Curitiba da Copa de 2027 deve servir como um “puxão de orelha” necessário. É hora de levarmos para Brasília a mesma garra que nossos atletas mostram nas competições.
O Paraná precisa de uma voz que defenda seus atletas, paratletas, técnicos, entidades, federações e profissionais da Educação Física com a autoridade de quem conhece o chão da quadra e o trabalho político do gabinete. Somente com uma representação forte, racional e técnica poderemos garantir que o nosso estado receba o investimento e o respeito que seu talento merece. O esporte é uma bandeira essencial ao Paraná, e ela precisa ser fincada com força em Brasília.
*A opinião do colunista não reflete necessariamente a opinião do portal.