Saúde em 1'

Do coma no hospital ao esporte: o poder da superação

História de superação mostra como a atividade física e a reabilitação podem contribuir para a recuperação da mobilidade e da autonomia após um quadro grave de saúde.

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Histórias reais de superação nos lembram que o esporte vai muito além da estética ou do rendimento atlético: ele é, em muitos casos, uma ferramenta de resgate da própria vida. Relatos emocionantes evidenciam como a prática orientada de exercícios tem o poder de desafiar prognósticos médicos e reescrever destinos. 

O depoimento da escritora Simone Moreira, 50 anos, ilustra com precisão essa força transformadora. Ela compartilhou como o esporte mudou drasticamente sua trajetória após enfrentar um quadro gravíssimo de saúde: 

“Fiquei muito tempo internada em coma na UTI e fui considerada a não voltar mais às atividades normais. Mas o esporte transformou a minha vida. Perdi 16 kg, graças a Deus, e a minha mobilidade física. E, graças a Deus e ao esporte, eu voltei a caminhar, eu voltei a fazer todas as minhas atividades.” 

O quadro clínico inicial da escritora era severo. Após contrair neurotoxoplasmose, ela desenvolveu uma trombofilia generalizada — com episódios de trombose no corpo inteiro e cerebral —, o que lhe tirou a fala e todos os movimentos, mantendo-a internada em coma e sem autonomia por um longo período.  
A neurotoxoplasmose é uma infecção causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, transmitido através de carnes cruas ou mal-cozidas, alimentos/água mal lavados e contato com fezes de gatos (via terra ou areia contaminada). Enquanto em imunidades saudáveis a doença costuma ser leve ou assintomática, quadros graves e neurológicos (como a neurotoxoplasmose) aparecem quando há uma queda significativa na imunidade do organismo. 

Desenganada inicialmente pelos prognósticos mais restritivos, encontrou na reabilitação e nos exercícios físicos orientados o combustível para a sua recuperação: 

“Hoje eu faço caminhada e academia. Já comecei inclusive, a viajar, graças a Deus. Sim, o esporte salvou a minha vida. Voltei a caminhar, voltei a usar a academia, levantar ferro mesmo com vontade e isso salvou a minha vida, sem dúvida.” 

Histórias como essa reforçam três grandes pilares do esporte quando aliado à saúde e à reabilitação: 

  1. Neuroplasticidade e Recuperação Motora: O estímulo físico supervisionado ativa vias neurais, auxiliando na recuperação de funções motoras perdidas por lesões ou condições neurológicas severas. 
  2. Autonomia e Resgate da Autoestima: A prática regular devolve a capacidade de realizar tarefas cotidianas básicas, gerando independência e resgatando o bem-estar mental e social. 
  3. Prevenção e Adaptação Contínua: Espaços públicos estruturados e acessíveis mostram que a atividade física direcionada é um remédio preventivo e terapêutico de alto impacto em qualquer fase da vida. 

A superação de limites extremos comprova que, com orientação adequada, acolhimento e perseverança, o movimento se transforma em sinônimo de cura e dignidade. 

DICA PRÁTICA:  
Em caso de suspeita de sintomas intensos (como febre persistente, dor de cabeça forte, confusão mental ou alterações motoras), o caminho correto é procurar imediatamente um posto de saúde (UBS) ou atendimento médico. 

Como a toxoplasmose pode evoluir de forma muito grave dependendo da imunidade, o diagnóstico precoce por meio de exames de sangue e avaliação neurológica é fundamental para iniciar o tratamento adequado o quanto antes. 

O movimento é o melhor remédio para a longevidade com qualidade. Se você está retomando os treinos ou passando por um processo de reabilitação, respeite o tempo do seu corpo, celebre cada pequena conquista diária e conte sempre com o acompanhamento multiprofissional para transformar o esporte com todas as práticas de exercícios físicos em uma aliada segura da sua saúde. 

Lu Oliveira | Doutora em Ciências da Saúde