Nada de morar com os pais

Sim, a Geração Z quer comprar imóvel!

“A Geração Z não quer apenas comprar um endereço. Quer um produto que entregue conforto, praticidade, tecnologia, flexibilidade e uma experiência melhor de morar”. Entenda o novo perfil de consumidor.

geração z quer comprar imóvel
Reprodução/IA

A Geração Z, formada por jovens entre 16 e 31 anos, está sim entrando no mercado imobiliário. Mas, sob novas regras. Menos apego à posse como símbolo de status e mais critério sobre uso, funcionalidade, investimento e aderência ao estilo de vida.

Em um estudo nacional realizado pela Datastore Pesquisas, com 2.000 entrevistas em todas as regiões do país, junto a jovens dessa geração com renda acima de R$ 2.640, emergiram constatações importantes sobre a maneira como esse público enxerga a moradia.

O perfil da Geração Z

O primeiro ponto é claro: há um novo perfil de consumidor em formação. Trata-se de uma geração mais atenta ao corpo, ao bem-estar, ao ritmo de vida e à própria rotina. Essa mudança já começa a influenciar a forma como os imóveis são concebidos, apresentados e desejados. É exatamente aí que o mercado precisa recalibrar o foco.

Na prática, isso não significa rejeição ao imóvel. Significa uma nova régua de decisão. Marcus Araújo, fundador da Datastore, compartilha sua leitura do cenário:

“O imóvel continua relevante, mas precisa ser útil, coerente e compatível com a vida real. A Geração Z não quer apenas comprar um endereço. Quer um produto que entregue conforto, praticidade, tecnologia, flexibilidade e uma experiência melhor de morar”.

Os dados nacionais da pesquisa também projetam que na composição familiar do futuro destes jovens, 61% afirmam que pretendem morar com parceiro ou parceira, em casamento ou união estável. Outros 29% se imaginaram morando sozinhos. O dado desmonta a leitura apressada de que essa geração permanecerá indefinidamente na casa dos pais ou abrirá mão de construir uma vida própria. Existe, sim, desejo de autonomia residencial, mas ele vem acompanhado de mais análise, racionalidade e exigência.

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Também cai por terra a tese de que o jovem quer apenas studios. A maior concentração ficou em imóveis de 2 dormitórios (45%) e 3 dormitórios (40%), com preferência por um suíte e duas vagas de garagem. É um sinal importante de que parte expressiva desse público não quer viver comprimida em produtos mínimos. Quer plantas eficientes, mas sem abrir mão de privacidade, conforto e capacidade de acomodar uma vida mais completa.

Quando perguntados sobre o tipo de imóvel em que se veem morando daqui a dez anos, 42% apontam apartamento e 37% casa em bairro aberto. As casas em condomínio fechado aparecem com 19%. Assim, o foco não está apenas no compacto extremo. Há espaço para plantas mais inteligentes, com menos áreas ociosas, sem abrir mão de conforto, funcionalidade e adaptação à vida real.

O desejo de compra permanece vivo. No recorte Brasil, 50% afirmam que pretendem financiar um imóvel próprio e 29% querem juntar dinheiro para comprar à vista. Em outras palavras, 79% demonstram intenção de compra, enquanto 21% preferem alugar. A Geração Z, portanto, não abandonou o sonho do imóvel. Ela apenas quer acessá-lo do seu jeito: com mais racionalidade, mais critério e menos impulso.

Não é só tamanho, tem que ser eficiente

Outro ponto decisivo está nos atributos valorizados dentro do imóvel. Os itens mais desejados são bastante reveladores: quintal, varanda, automação, ar-condicionado nos dormitórios, ar-condicionado na sala e piscina aparecem entre os diferenciais pelos quais esse público pagaria mais. Não se trata apenas de metragem, mas de conforto, conveniência e melhor experiência de uso.

O pet também entrou de vez na equação da moradia. No levantamento nacional, 39% disseram não ter nenhum animal de estimação, o que significa que a maioria convive com algum pet no núcleo familiar. Isso ajuda a explicar por que atributos ligados ao quintal, varanda, áreas abertas e soluções práticas para o dia a dia ganham tanta força entre os jovens. Para a Geração Z, o imóvel precisa funcionar não apenas para a pessoa, mas para a rotina completa da casa.

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A agenda ambiental também pesa. No conceito de condomínio sustentável apresentado na pesquisa, 67% dos entrevistados afirmaram que esse atributo é importante e agrega valor ao empreendimento, enquanto apenas 5% o consideram sem importância. Sustentabilidade é critério de valor.

Talvez o maior erro do mercado seja tentar interpretar a Geração Z com lentes antigas. Esse público até aceita racionalização de espaço, mas não aceita perda de qualidade de vida. Quer plantas eficientes, ambientes bem resolvidos, integração entre tecnologia e moradia, áreas comuns mais inteligentes e um imóvel capaz de acompanhar novas rotinas de trabalho, convivência e bem-estar.

Mais do que parecer moderno, o imóvel precisa ser compatível com essa nova forma de morar desta geração.