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COLUNA PROVOCA
O efeito Dunning-Kruger ajuda a entender como a superconfiança sobre o próprio conhecimento pode impactar colaboradores, gestores e decisões nas empresas.
Acabei de finalizar a leitura do livro Brasil no Espelho de Felipe Nunes, um verdadeiro guia para entender o Brasil e os brasileiros, como ele mesmo escreve na capa.
No capítulo final, Felipe aborda a “Ilusão do conhecimento”. Cenário em que as pessoas acreditam que sabem mais do que realmente sabem. Não é novidade que o brasileiro tem opinião, faz debates pelas redes sociais, sempre tem algo a dizer…. e diz!
Mas a pergunta que o autor se fez foi: “será que o brasileiro sabe o que está acontecendo atualmente?”. E com esta curiosidade, ele inseriu 4 perguntas sobre fatos da atualidade: taxa de desemprego, economia, homicídios e mortalidade por Covid. Temas que eram fortemente noticiados pela imprensa de alto alcance em 2023, momento de sua pesquisa.
Resultado: 42% dos respondentes não acertaram nenhuma das 4 perguntas. Mas o dado mais interessante é que 67% dos respondentes achavam que tinham acertado mais do que realmente acertaram!
Eles chamam isso de “superconfiantes”, pessoas que superestimam seu conhecimento factual, que julgam ter acertado mais do que de fato o fizeram.
Felipe complementa em seu livro que esse descasamento entre a ignorância e noção própria de ignorância é chamado de efeito Dunning-Kruger na psicologia social. Em um artigo publicado em 1999 pelos psicólogos David Dunning e Justin Kruger, eles descrevem um fenômeno que as pessoas menos competentes tendem a superestimar suas habilidades. E o contrário também ocorre, as mais competentes tendem a subestimar as suas capacidades.
Segundo eles, isso acontece porque os menos competentes não têm consciência de suas limitações, enquanto os mais competentes são mais conscientes das complexidades envolvidas numa área específica! Ou seja… “não somos muito bons em saber o que não sabemos” disse David Dunning.
Eu pensei em como este fato impacta o mundo dos negósios!
Me veio em mente imediatamente 2 áreas: a dos gestores e dos colaboradores.
Colaboradores:
Todos sentimos na pele os desafios de encontrar bons colaboradores. Alta rotatividade, demandas diferenciadas entre outros desafios.
Compreendendo que a pessoa não tem a visão de suas limitações em relação ao trabalho, vejo que há demanda por aumentar os esforços nas avaliações de desempenho e planos de desenvolvimento.
Afinal, parece que nosso trabalho como líderes é ajudá-los para que tomem consciência de sua performance. Mas não podemos parar apenas na devolutiva, pois será necessário mostrar o que é melhor (a melhor performance esperada), para que eles realmente tenham a visão deste novo patamar.
Gestores:
Para mim, aqui é o maior desafio.
Quantos gestores acham que sabem como lidar com o cliente atual, acham que conhecem os movimentos e desejos do mercado. E com esta visão, que não se sustenta em fatos, mas apenas em percepções baseadas em cenários não atualizados, a empresa deixar de tomar novos caminhos e rotas.
E compartilho com vocês que este é o cenário que mais vejo em meu dia a dia, gestores com a mente fechada, sem a vontade de ouvir diferentes pontos de vista.
E, estes mesmos gestores acompanham suas vendas e margens caindo. O que dizem? Colocam a responsabilidade em tudo que é externo – economia, política, juros …. e até mesmo no próprio cliente.
Quem está sendo sacrificada… a empresa!
Deixo então a reflexão do início desta coluna … Será que você sabe mesmo ou acha que sabe?
Abração e até a próxima coluna!
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