PROVOCA
Gabriel Pianaro
Instagram é canal, marketing é estratégia; quem confunde isso está construindo um negócio sobre um terreno que não controla
Existe uma confusão cada vez mais comum no mercado que é o de acreditar que estar presente no Instagram é sinônimo de fazer marketing. Não é. E, pior, essa visão limitada tem custado caro para empresas que acabam construindo sua presença digital sobre um terreno que não controlam.
O Instagram é, sem dúvida, uma ferramenta poderosa. Ele conecta marcas e pessoas, gera visibilidade e pode até impulsionar vendas. Mas ele é apenas isso, sim só isso, uma ferramenta. Um canal. Te frustrei?
Reduzir marketing a uma rede social é como acreditar que uma vitrine é a loja inteira. Funciona só que não sustenta um negócio no longo prazo.
Marketing, de verdade, começa no planejamento. E planejamento exige visão sistêmica. Não se trata mais de olhar apenas para o funil de vendas tradicional (topo, meio e fundo).
Hoje, o comportamento do consumidor é muito mais dinâmico. O cliente não percorre uma linha reta. Ele orbita.
Sim, orbita.
O consumidor orbita, sim em torno da sua marca. Ele descobre você em um canal, pesquisa em outro, válida em um terceiro e, só então, toma uma decisão. Ele pode ver um anúncio, buscar seu nome no Google, acessar seu site, conferir avaliações, visitar suas redes sociais e até procurar seu perfil no LinkedIn antes de entrar em contato. Isso muda completamente o marketing nos dias de hoje.
Se o cliente orbita, a sua marca precisa estar preparada para recebê-lo em diferentes pontos dessa jornada. E é aqui que a maioria das empresas ainda falham ao focar tudo no Instagram, concentram seus esforços lá e deixam de construir um ecossistema sólido de comunicação.
E é aí que entra algo fantástico. Algo sensacional. A última tendência do mercado digital. Aquilo que promete mudar completamente o jogo para a sua empresa… ter um site próprio.
O site é o único ativo digital que realmente pertence à sua empresa. É onde você controla a experiência, a narrativa, os dados e a conversão. Diferente das redes sociais, que podem mudar regras, reduzir alcance ou até limitar sua atuação, o site é seu território próprio.
É nele que devem estar suas principais informações: quem você é, o que você faz, como faz, como entrar em contato. É nele que o cliente encontra segurança. E mais, é no site que você constrói autoridade.
Mas não basta ter um site. Ele precisa ser estrategicamente preparado, com muito conteúdo relevante, é muito mesmo. Não é uma simples “on page” feita para cumprir tabela. É um site de verdade, um prato cheio com conteúdo denso, atualizações constantes, agenda, novidades e informação relevante de verdade.
E é exatamente aqui que entra a estratégia por trás disso tudo. Esse tipo de construção passa por SEO (Search Engine Optimization), que ainda é fundamental para garantir visibilidade nos mecanismos de busca. Mas há uma nova camada ganhando força a tal da IA. Sim, é sobre IA, mas não no sentido superficial de apenas gerar conteúdo ou melhorar a UX. Estamos falando de otimização para inteligências artificiais que muitos já começam a chamar de GEO (Generative Engine Optimization) ou AIO (AI Optimization).
Na prática, isso significa estruturar seu conteúdo para ser compreendido e recomendado por ferramentas como assistentes virtuais e sistemas de busca baseados em IA. É um novo território, mas com uma lógica clara. Quem organiza melhor sua informação, aparece mais. Ou seja, quer ser recomendado pelo Gemini, pelo ChatGPT? Tem que fazer GEO.
E aqui entra um ponto que muita gente negligencia, que sempre cito em minhas palestras e outros conteúdos aqui, é preciso ser profissional, não apenas ‘querido’ pelo público, ou seja, faço o básico bem feito, como ter um e-mail com domínio próprio ([email protected]), registrar seu domínio em plataformas oficiais, cuidar da sua marca registrada. Esses elementos parecem simples, mas são determinantes para credibilidade.
Eles dizem ao cliente: “essa empresa é séria”.
Em seguida, entram os veículos de distribuição, aí sim, agora vamos falar das redes sociais.
Instagram, Facebook, LinkedIn, YouTube, TikTok… todos são importantes. Cada um com seu papel, seu público e sua dinâmica. O erro não está em usar essas plataformas, mas em depender exclusivamente delas. E eu vou te ensinar como cada uma delas funciona.
O Instagram é excelente para alcance e relacionamento. Mas não é um canal oficial. Você não controla o algoritmo, não controla a entrega e, principalmente, não controla a base de contatos. Se amanhã o alcance cair como já aconteceu inúmeras vezes, o seu negócio vai cair junto.
Já o Facebook, muitas vezes subestimado, ainda carrega um peso de credibilidade e presença institucional. O LinkedIn fortalece a percepção profissional. O YouTube constrói autoridade através de conteúdo mais aprofundado. O TikTok amplia alcance em novos públicos.
Cada canal cumpre uma função dentro de um plano maior. O segredo está na integração. Você não quer um cliente preso a um canal. Você quer um cliente conectado à sua marca.
E isso só acontece quando você constrói uma estrutura que permite essa movimentação. O cliente vê um conteúdo no Instagram, vai para o seu site, encontra seu WhatsApp, entra em contato, recebe um e-mail, acompanha seu conteúdo no YouTube e, aos poucos, se aproxima da sua marca.
Marketing não é postar. Não é fazer stories. Não é impulsionar publicações. É criar um sistema onde todos os pontos de contato trabalham juntos para atrair, engajar, converter e fidelizar, o cliente tem que orbitar sua marca.
Quando uma empresa entende isso, ela deixa de ser refém de plataformas e passa a construir ativos. E ativos são o que sustentam crescimento de verdade.
O Instagram tem que fazer parte da sua estratégia. Mas ele não pode ser a estratégia.
Porque, no fim das contas, a pergunta não é “em qual rede social você está?”.
A pergunta correta é: “qual estrutura você construiu para que o seu cliente encontre você, confie em você e compre de você, sem depender do canal?”
Se a resposta ainda for Instagram, isso não é marketing. É dependência. É apenas presença digital. E, com toda sinceridade, isso não é suficiente. Nunca foi.
E vale o mesmo para influenciadores. Se o seu negócio depende exclusivamente do Instagram, você também está vulnerável. Dá para ganhar dinheiro? Dá. Mas isso não é estratégia. É exposição sem sustentação.
*A opinião da colunista não reflete necessariamente a opinião do portal.
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