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Musculação na menopausa
Como professor de educação física especializado em biomecânica e fisiologia do exercício, vejo esse erro se repetir quase todos os dias: mulheres que evitam musculação por medo de ficar “musculosa demais”, quando é exatamente esse tipo de treino que protege seus ossos.
Quase toda semana eu recebo mensagens com a mesma frase: “não gosto de treinar com peso porque tenho medo de ficar muito musculosa” ou “prefiro treinar mais leve pra não crescer muito”. Eu entendo a origem desse medo, mas como professor de educação física, preciso ser direto: essa escolha tem um custo que a maioria das mulheres não enxerga até ser tarde demais… infelizmente.
Existe uma diferença radical entre o osso de quem treina força regularmente e o osso de quem não treina. Um é denso, firme, resistente. O outro é poroso, frágil, cheio de espaços vazios. E a diferença entre os dois não é genética e nem sorte, mas sim estímulo mecânico contínuo, ou seja, treinamento resistido. Aqui podemos colocar musculação, Crossfit, Calistenia, Funcional, Hyrox, etc.
Quando você carrega peso, o osso se deforma de um jeito imperceptível a olho nu, mas é uma deformação real na sua estrutura. Essa deformação ativa os osteócitos, basicamente células especializadas dentro do nosso osso, que disparam um sinal químico dizendo: “esse osso sofreu alguma lesão e precisa ficar mais forte”. O resultado é mais formação óssea e menos perda. Isso não é opinião minha: é ciência estabelecida e publicada na revista Biogerontology (Santos, Elliott-Sale & Sale, 2017).
Na menopausa, esse alerta fica ainda mais urgente. A queda de estrogênio pode reduzir a proteção natural que a mulher tinha contra a perda óssea, e é exatamente nesse período que o risco de osteoporose dispara. O próprio estudo é honesto ao defender que o treino de força segue sendo a ferramenta mais eficaz disponível para preservar densidade e fortalecer o osso.
Prefiro tratar esse tema com a seriedade que ele merece, porque não estamos falando de imagem no espelho ou de “ficar em forma”. Estamos falando de autonomia na velhice. Uma fratura de quadril em idosa aumenta o risco de morte em até três vezes no primeiro ano, e causa incapacidade permanente em metade dos casos. Prevenir a perda óssea é, na prática, garantir que você consiga subir uma escada, brincar com netos ou simplesmente andar sozinha aos 60, 70, 80 anos.
E aqui vai uma honestidade que poucos profissionais assumem: o ganho real de densidade óssea com exercício pode chegar aos 10%. Isso muda totalmente a qualidade de vida da pessoa, o que torna uma atitude decisiva, porque a perda óssea ao longo da vida, sem intervenção nenhuma, é muito maior que isso. As mulheres ao longo da vida podem apresentar uma redução de 30% a 50%. O treino não é milagre, mas sim uma prevenção séria, que exige consistência de anos, não de semanas.
Uma revisão publicada na Sports Medicine (Borer, 2005) lista os princípios que fazem essa adaptação acontecer de verdade:
1º) O estímulo precisa ser dinâmico;
2º) Com intensidade acima de um certo limiar;
3º) Funciona melhor em blocos curtos e intermitentes do que numa sessão longa e monótona; 4º) Precisa ser diferente do padrão habitual do corpo, porque repetir sempre o mesmo movimento leve não gera resposta nenhuma.
É por isso que, na minha prática como professor, insisto tanto em programar treino de força de forma progressiva e intencional. Não é sobre treinar mais, é sobre estimular o organismo do jeito certo. O osso se adapta ao que você exige dele. E treino de força bem estruturado, ao longo dos anos, é uma das ferramentas mais poderosas e acessíveis que você tem para chegar aos 70, 80 anos andando com as próprias pernas.
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