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Fala, Pedroso!
Em 2024, o PSD elegeu prefeito em 164 dos 399 municípios paranaenses; partido aposta nessa capilaridade para promver o nome de Sandro Alex
A campanha começa formalmente no domingo. Nos cálculos, já está em curso há semanas.
O primeiro sinal veio do debate da Band, no dia 9. Moro havia confirmado presença e desistiu horas antes, deixando a cadeira vazia diante de Sandro Alex e Requião Filho. Falou em jogo combinado. A leitura de bastidores é mais simples e costuma ser a certa. Quem lidera e calcula ter mais a perder do que a ganhar na exposição evita o palco.
O segundo sinal vem da campanha governista.
Sandro Alex tem o nome na urna para o governo. Rafael Greca é o vice. Alexandre Curi e Cristina Graeml disputam o Senado. Mas a conversa que corre nos bastidores é sobre quem não estará na urna e vai aparecer no material de campanha assim mesmo.
Convém começar pelo ativo menos vistoso, que costuma ser o mais decisivo.
Contei os prefeitos eleitos em 2024 e agrupei pelas coligações registradas agora. Serve para medir proporção, e só isso.
Em 2024, o PSD elegeu prefeito em 164 dos 399 municípios paranaenses. Quatro em cada dez cidades. Somados os oito partidos que hoje integram a coligação, a base chega a cerca de 313 municípios, quase oito em cada dez. O campo de Moro reúne 61. O de Requião Filho, pouco mais de 10.
Isso não é imagem. É estrutura. Rótulo partidário, porém, não é palanque. Prefeito troca de legenda na janela, e vários dos 52 eleitos pelo PL venceram com apoio explícito do governador. Na direção inversa, há prefeito filiado a partido da base com o pé em mais de uma canoa. O mapa é mais favorável do que qualquer adversário gostaria, e menos automático do que a soma sugere.
Cabo eleitoral municipal trabalha por capilaridade. Quem organiza a reunião no bairro. Quem empresta credibilidade a um candidato diante de vizinhos que vão cobrar depois. A soma dessas engrenagens pesa mais do que qualquer inserção de televisão em cidade de dez mil habitantes.
Curitiba é outro jogo.
A capital tem 1.410.995 eleitores, 16,4% do eleitorado paranaense. Sozinha, pesa mais do que Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel somadas. E é onde a máquina municipal muda de função. Na cidade pequena, o prefeito conhece o eleitor pelo nome. Em Curitiba, espalhada por mais de quatro mil seções, a capilaridade continua valendo, só que ela abastece outra coisa. O que circula ali é imagem, mídia e memória de gestão.
Daí a entrada de Eduardo Pimentel.
A aposta tem base real. A Paraná Pesquisas de maio mediu 78% de aprovação à gestão municipal. E o vínculo não depende só dele. Rafael Greca, que governou a capital por oito anos com Pimentel como vice, está na chapa como candidato a vice-governador. A campanha não pede ao eleitor de Curitiba que confie em um estranho recomendado pelo prefeito. Ela coloca na urna o próprio antecessor.
Ainda assim, não se trata de sucessão. Pimentel não entrega cadeira nenhuma a Sandro Alex, e o eleitor de Curitiba não vai à urna em outubro para escolher quem dá continuidade à obra da prefeitura. Quem aprova uma gestão municipal está avaliando o que enxerga da janela de casa. Asfalto, ônibus, posto de saúde, creche. Não é o que se decide para o governo do estado e para o Senado.
E existe medição direta disso. Perguntados sobre o efeito de um apoio do prefeito, 31,2% dos curitibanos disseram que aumentaria a chance de votar no indicado e 10,5% que diminuiria. Um terço mobilizável não é pouca coisa em disputa que se decide na margem. E há quem reaja mal.
O que um prefeito popular oferece nesse arranjo não é voto. É autorização. Ele sinaliza ao próprio eleitor que aquele candidato é gente da mesma casa, reduz a desconfiança inicial e encurta o caminho da apresentação. A apresentação ainda precisa ser feita.
Alguma coisa já se moveu. Em julho, antes da chapa fechada, Sandro Alex aparecia em um dígito e dois terços do eleitorado diziam não conhecê-lo. Em agosto, com Greca ao lado no cenário testado, chegou a 24,8%, ainda quinze pontos atrás de Moro. Institutos e formatos diferentes não formam série comparável. O que se pode afirmar é que a chapa ampliou o reconhecimento do candidato.
Fica então a pergunta prática, que é sempre a melhor pergunta de campanha.
Não é se o fator Pimentel existe. Existe e está medido. Nem se a rede de prefeitos pesa. Pesa. É quando e quanto os dois aparecem nos números.
Apoio de terceiro não desloca voto em agosto. O eleitor médio ainda não montou o cenário na cabeça e associação entre rostos exige repetição. O horário gratuito no rádio e na televisão começa em 28 de agosto. Contando o tempo que a dobradinha leva para virar rotina visual, a conta fecha entre a segunda e a terceira semana de setembro.
Se a curva subir ali, a aposta estava certa e a disputa vira jogo de dois turnos.
Se não subir até lá, o problema não terá sido o tempo. Terá sido a premissa de que popularidade e capilaridade se emprestam.

*A opinião do colunista não reflete necessariamente a opinião do portal.
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