PROVOCA
5 minutos com Lilian Miranda
Em meio ao aumento da ansiedade e do esgotamento emocional, empresas começam a olhar para pequenas pausas conscientes como parte da saúde corporativa
O Brasil vive um novo momento quando o assunto é saúde mental no trabalho. Com a entrada em vigor da NR-1 atualizada, as empresas passam a olhar de forma ainda mais séria para os riscos psicossociais dentro do ambiente corporativo. Ansiedade, estresse, esgotamento emocional, excesso de pressão, passam a fazer parte das responsabilidades ligadas à saúde e segurança dos colaboradores.
Mas talvez o mais importante não seja apenas a mudança na legislação. Seja a mudança de consciência. Durante muito tempo, o ambiente corporativo valorizou profissionais que suportavam pressão, excesso de cobrança, jornadas emocionais pesadas e uma rotina sem pausas. Como se estar constantemente cansado fosse sinônimo de competência.
O problema é que o corpo responde. E a mente também.
É importante dizer também que nem sempre o sofrimento emocional nasce exclusivamente dentro do trabalho. Muitas vezes, as pessoas já chegam emocionalmente sobrecarregadas por questões pessoais, familiares, financeiras ou pelo próprio ritmo acelerado da vida moderna.
O ambiente corporativo nem sempre é a origem do problema, mas pode ser o lugar onde esse esgotamento se manifesta de forma mais intensa.
Por isso, falar sobre saúde mental dentro das empresas não significa transferir toda a responsabilidade para o trabalho. Significa compreender que organizações também fazem parte da vida emocional das pessoas e podem contribuir para ambientes mais humanos, equilibrados e conscientes.
Vivemos uma era em que muitas pessoas terminam o expediente sem conseguir realmente sair do trabalho.
O corpo chega em casa, mas a mente continua revisitando reuniões, preocupações, metas. Existe hoje um cansaço que não é apenas físico: é mental, emocional e silencioso.
Muitas pessoas já acordam cansadas. Outras perderam a capacidade de concentração em pequenas tarefas do cotidiano. E existe ainda quem não consiga permanecer poucos minutos sem estímulos, telas ou interrupções.
Talvez por isso práticas de respiração consciente, meditação e pausas breves tenham começado a ganhar espaço dentro das empresas. Não como algo místico ou distante da realidade corporativa, mas como ferramentas acessíveis para ajudar as pessoas a reduzirem os pensamentos .
Existe um equívoco antigo no mundo corporativo: acreditar que produtividade significa estar mentalmente disponível o tempo inteiro. Mas nenhum sistema funciona bem sem pausas. Nem máquinas, nem pessoas.
Empresas que começam a incentivar pequenos momentos de desaceleração percebem impactos importantes na qualidade das relações, na comunicação entre equipes e até na capacidade de foco e tomada de decisão.
Às vezes, 5 minutos de pausa consciente podem evitar horas de desgaste emocional acumulado.
Mais do que cumprir exigências legais, algumas organizações começam a compreender algo essencial, pessoas emocionalmente saudáveis produzem melhor, convivem melhor e adoecem menos.
Talvez o futuro das empresas não esteja apenas em alta performance.Mas na capacidade de construir ambientes emocionalmente sustentáveis.
Que tal testar parar por 5 minutos ?
*A opinião do colunista não reflete necessariamente a opinião do portal.