Saúde em 1º
PROVOCA
As estratégias de marketing de uma década atrás já não trazem resultados; para repensar, é preciso de dados e análises de profundidade
Passando para falar com vocês sobre algo que tem me chamado muito a atenção: Como tudo está ficando SUPERFICIAL. As análises são rasas e pouco interpretadas! E estou falando de pessoas como vocês… gestores de operações.
Um dos valores de nosso trabalho na consultoria é ter uma qualidade de tempo para conhecer a empresa, entender a cultura, estudar os mercados, identificar os assuntos que estão orbitando aquele segmento, compreender as demandas do cliente entre outros temas relevantes para dar fundamentação a uma estratégia de negócio.
Recentemente entregamos alguns estudos e percebemos que os gestores não conseguiam mais acompanhar uma construção estratégica. Eles tem o foco na última linha (ou no caso, no último chart), que já mostra como executar, onde rentabilizar e “bora” para o próximo!
Infelizmente as marcas estão sentindo cada vez mais os efeitos desta ansiedade por velocidade, execução e venda,
Em tempos de Inteligência Artificial, isto segue potencializado, afinal, um prompt bem executado, faz o seu “agente” entregar um plano completo em minutos. Para que investir tempo e recursos, sejam financeiros ou humanos, se já vem pronto?
O problema está aí… ele não vem pronto! Ele apresenta uma máscara de ações, que pode ser comum a todas as empresas com o perfil da sua, ou com o seu prompt! Lembrem-se que a IA não vê nuances e particularidades!
Eu resolvi trazer este tema para cá porque presenciei um grupo de empresários perderem a oportunidade de receber um estudo com a cabeça aberta, com a vontade de aprender e de deixar seus conceitos pré-concebidos de lado, para avaliar novas oportunidades de crescer num mercado com tantas mudanças.
Gestores 50+, ou mesmo os 40+ conservadores, apenas vêem que está difícil performar para um cliente que mudou, numa tecnologia que não é tão fácil de entender e na dinâmica da compra que nada se compara com uma década atrás. Ou seja, sabe que não está dando mais certo fazer da mesma forma de sempre, mas não abre uma brecha para ver o cenário externo por novas lentes.
Ainda tem a fala de que “o problema é o cliente”!
Segundo o professor Marcus Collins (@marctothec), da Universidade de Michigan (EUA), o problema está no lado das empresas, que ainda insistem em segmentar seus clientes com dados sociodemográficos. Não podemos colocar os clientes em caixinhas de homem, mulher, 30 anos+, moradores da zona oeste, com segundo grau completo, isto não funciona!
Ele fala que precisamos compreender profundamente os cliente e seus interesses. Segundo ele, nada é mais poderoso do que compreender a CULTURA onde estão inseridos. Analisar as comunidades que fazem parte, suas áreas de pertencimento.
Mas, somente podemos olhar para estes dados com dedicação, vontade e cabeça aberta, pois não estudamos comportamento de forma rasa.

Eu assisti a palestra do professor Marcus no recente Congresso da ABRASCE – Associação Brasileira de Shopping Centers, e fiquei muito inquieta em compreender que ainda precisamos educar os gestores no primeiro degrau da segmentação! Imaginem só falar sobre pesquisa em profundidade, entendimento de comunidades, entre outros assuntos que fazem com que as marcas performem com sustentabilidade ao longo do tempo.
Ele compartilhou um projeto que desenvolveu com clientes do McDonalds e como mudaram de um cenário negativo para um novo patamar de admiração, apenas entregando o que era importante para a sua comunidade! Incrível!
O que quero deixar de reflexão para vocês hoje é que não dá mais para correr sem olhar que o que está a frente é um abismo! Você vai se atirar sem questionar?
Todos compreendemos que o mercado mudou profundamente e não é possível agir da mesma forma. Sinto informar que para exercitar novos rumos será mandatório ampliar o repertório e aceitar que nada é como antes!
Meu convite é: não sejam rasos nas análises, porque é do entendimento do complexo, que as oportunidades mais incríveis podem surgir!
Abração até a próxima semana,
*A opinião do colunista não reflete necessariamente a opinião do portal.
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