SAÚDE EM 1'

O esporte mudou: como a tecnologia revoluciona os treinos da base à alta performance  

Tecnologias vestíveis, equipamentos portáteis e ferramentas digitais estão transformando o acompanhamento dos treinos e ampliando o acesso à ciência do esporte.

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O avanço tecnológico transformou radicalmente a maneira como praticamos e acompanhamos as atividades físicas. Sob o tema central “O Esporte Mudou e Agora?”, o Seminário de Ciência, Esporte, Inovação e Transformação Social,  realizado neste último final de semana na cidade de Cambé no norte do Paraná, reuniu diversos doutores especialistas para debater os novos rumos do setor e as ferramentas que vêm moldando a preparação física contemporânea. 

Entre os palestrantes, a Dra. Danieli Mello, professora titular da Escola de Educação Física do Exército do Rio de Janeiro, abordou o tema “Inovação e Tecnologia no Esporte”, apresentando o que há de mais moderno no cenário global tanto para atletas de elite quanto para praticantes amadores. 

A especialista destacou que o acesso a recursos tecnológicos deixou de ser um privilégio exclusivo da alta performance: 

“Minha palestra aqui hoje foi sobre inovação e tecnologia no esporte. O objetivo foi justamente mostrar o que a gente tem de inovação, os equipamentos mais disponíveis que a gente tem hoje no mercado, tecnologias vestíveis, equipamentos point-of-care e testes e questionários que são mais acessíveis para as pessoas poderem utilizar, tanto no esporte de alto rendimento, mas também para o atleta amador e, principalmente, lá no desenvolvimento que a gente tenta trazer essa criança desde aquela formação inicial até chegar na alta performance.” 

Hoje, ferramentas como dispositivos vestíveis (wearables), monitores portáteis de análise rápida (point-of-care) e protocolos digitais de monitoramento de esforço permitem mapear respostas fisiológicas em tempo real. Essa precisão no acompanhamento reduz os riscos de lesões, aperfeiçoa a carga de treino e atua diretamente na formação de jovens atletas desde a base. 

As 3 tecnologias mais modernas e acessíveis no esporte atualmente são: 

  1. Tecnologias Vestíveis (Wearables): Dispositivos como relógios inteligentes (smartwatches), cintas cardíacas e sensores de movimento. Eles monitoram variáveis fisiológicas em tempo real — como frequência cardíaca, qualidade do sono, nível de estresse e carga de treino. 
  1. Equipamentos Point-of-Care: Dispositivos portáteis de diagnóstico rápido usados no próprio local de treino (na pista, campo ou academia). Eles medem marcadores no sangue (como o lactato) com apenas uma gota, indicando o nível de fadiga muscular e a recuperação metabólica imediata do atleta. 
  1. Questionários e Testes Digitais de Percepção de Esforço: Aplicativos e protocolos validados que mapeiam a percepção subjetiva de esforço (PSE) e a prontidão do corpo (readiness). São ferramentas acessíveis que transformam o relato do atleta sobre cansaço e dores em dados precisos para ajustar as cargas de treino diárias. 

No entanto, a professora ressaltou que a tecnologia deve atuar como meio, e não como fim, mantendo a integridade física e o equilíbrio do indivíduo no centro das atenções: 

“O objetivo é justamente mostrar que essas tecnologias são acessíveis, que podem ser utilizadas aí no dia a dia por qualquer tipo de profissional da saúde. O que a gente quer, com certeza, é ter um desempenho, mas principalmente com saúde e bem-estar. A gente não pode ver essa pessoa, esse praticante de exercício, sem perder o foco principal, que é trazer cada vez mais uma atividade voltada para o bem-estar, para a saúde e, é claro, para o melhor desempenho que ele também busca.” 

A convergência entre ciência, tecnologia e acompanhamento multiprofissional consolida um novo paradigma no esporte: a busca por resultados com sustentabilidade e preservação da saúde. 

DICA PRÁTICA: 

Transforme dados em aliados da sua saúde. Se você utiliza smart watches ou aplicativos para monitorar corridas e treinos, preste atenção em métricas como a frequência cardíaca de repouso e a percepção do seu cansaço. Compartilhe essas informações com um profissional de Educação Física para ajustar a intensidade dos exercícios, prevenindo o excesso de treino (overtraining) e garantindo uma evolução constante e segura. 
 
Lu Oliveira | Doutora em Ciências da Saúde