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Barrados!
Nas últimas semanas, um dos anfitriões da competição vem se envolvendo em uma série de polêmicas: os Estados Unidos; mais especificamente, em questões relacionadas à entrada no país
A Copa do Mundo 2026 é realizada pela primeira vez em três países: México, Canadá e Estados Unidos. A união das nações da América do Norte proporciona uma atmosfera de unidade, porém, na prática, a realidade de acesso aos países é diferente. Torcedores, delegações e até árbitros enfrentam dificuldades quando o assunto é migração nos Estados Unidos.
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Às vésperas do Mundial, no dia 6 de junho, o árbitro Omar Abdulkair Artan, de 34 anos, nascido na Somália, foi impedido de permanecer nos Estados Unidos após desembarcar em Miami. Sua entrada foi considerada “inadmissível” pela agência de fronteiras norte-americana por razões ligadas à segurança e a procedimentos de verificação. Vale ressaltar que o visto do árbitro estava válido. O que chamou a atenção no caso é que a Somália está entre os países afetados pelas restrições migratórias impostas pelo governo dos Estados Unidos.
Poucos dias depois da repercussão do caso, o governo norte-americano se pronunciou. Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa Presidencial para a Copa do Mundo de 2026, comentou em entrevista à rádio britânica TalkSport que o árbitro estaria mantendo contato com “pessoas ruins”. “Há algumas coisas sobre as quais não podemos falar. Mas o que posso dizer é que ele é o único árbitro, o único oficial não iraniano, que foi impedido de entrar no país para este torneio. Ele estava conversando com algumas pessoas ruins, muito recentemente, sobre ações aqui nos Estados Unidos”, afirmou Giuliani.
O somali havia sido selecionado pela FIFA para integrar o grupo oficial de arbitragem do torneio. Artan é considerado por muitos um dos melhores profissionais da função no continente africano, tendo sido eleito o melhor árbitro do ano passado pela Confederação Africana de Futebol. A presença do profissional poderia entrar para a história, já que seria o primeiro nascido na Somália a atuar em uma Copa do Mundo.
Outra situação recente envolveu a delegação do Iraque, especificamente o atacante e principal nome da seleção, Aymen Hussein, e o fotógrafo da equipe, Talal Salah. O jogador foi detido no aeroporto por aproximadamente sete horas, período em que foi interrogado e teve seu celular inspecionado. O mesmo ocorreu com Talal. Entretanto, o profissional permaneceu retido entre 10 e 13 horas e acabou sendo deportado para Bagdá, enquanto o atleta foi liberado. Nenhuma justificativa detalhada foi divulgada pelas autoridades.
Situações semelhantes também foram relatadas envolvendo torcedores de países como Haiti, Senegal e Costa do Marfim, que encontraram dificuldades relacionadas à entrada em território norte-americano.
Porém, o caso mais delicado envolve a seleção do Irã. Em razão dos conflitos militares e geopolíticos registrados desde o início de 2026, a equipe iraniana chegou a cogitar sua retirada do torneio por questões de segurança. A federação solicitou que seus jogos fossem transferidos para Canadá e México, mas o pedido foi negado.
Atualmente, os problemas persistem. Embora os jogadores tenham recebido autorização para entrar nos Estados Unidos, parte da comissão técnica e dirigentes tiveram seus pedidos negados. Além disso, mesmo liberada para disputar as partidas, a delegação iraniana não pode permanecer hospedada em solo norte-americano, sendo obrigada a retornar ao México após os jogos. A Federação Iraniana de Futebol também perdeu o direito à cota de 8% dos ingressos reservados exclusivamente para seus torcedores.
Após a sequência de polêmicas surgidas às vésperas da Copa do Mundo, internautas resgataram declarações do presidente da FIFA, Gianni Infantino, sobre os objetivos do torneio. “Usar o futebol e a Copa do Mundo para unir as pessoas, construir pontes e promover compreensão e paz entre pessoas de todo o mundo. Essas equipes e seus torcedores serão recebidos em uma Copa do Mundo segura e protegida”, declarou o dirigente.
Enquanto a FIFA e as autoridades norte-americanas afirmam que a realização do torneio segue dentro dos padrões de segurança estabelecidos, os episódios registrados nas últimas semanas colocaram as políticas de entrada do país no centro das discussões.
Projeto Focas na Massa: texto produzido pelo aluno Thiago Stelmach, do curso de Jornalismo da Universidade Positivo; texto revisado e com supervisão de Guilherme Becker.
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