Projeto espanhol

Como a Espanha transformou sua base em uma seleção finalista da Copa do Mundo

Há 13 anos na Federação Espanhola, Luis de la Fuente acompanhou o desenvolvimento da geração que hoje coloca a Fúria a um passo do título mundial

Seleção da Espanha
Treinador espanhol está há 13 anos na federação nacional, com destaque para títulos na categoria de base (Foto: Reprodução/ Instagram @sefutbol)

Dezesseis anos se passaram desde que a Espanha conquistou o primeiro título de Copa do Mundo, em 2010. A geração que eternizou o tiki-taka no futebol mundial serviu de base para o estilo da equipe atual, que volta a disputar uma final de Copa após superar a favorita França nas semifinais. Nesse intervalo, durante 13 anos, um personagem esteve diretamente envolvido na formação dessa nova geração: Luis de la Fuente.

Um líder de base na Espanha

O atual treinador da seleção principal iniciou sua trajetória na Federação Espanhola, em 2013, comandando a equipe sub-19. Desde então, conquistou dois títulos da Eurocopa de base: um com o sub-19, em 2015, e outro com o sub-21, em 2019, além da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, após a derrota para o Brasil na decisão.

Da equipe vice-campeã olímpica, oito jogadores também integram o elenco espanhol na Copa do Mundo de 2026: Unai Simón, Eric García, Marc Cucurella, Mikel Merino, Martín Zubimendi, Pedri, Mikel Oyarzabal e Dani Olmo. Entre eles, apenas Eric García e Zubimendi não iniciaram nenhuma partida como titulares no Mundial.

Além desses jogadores, De la Fuente conta com duas das principais joias do futebol espanhol. O atacante Lamine Yamal e o zagueiro Pau Cubarsí, ambos com 19 anos e atletas do Barcelona, chegaram diretamente à seleção principal após a ascensão meteórica que tiveram no clube. Mesmo com pouca idade, os dois já se consolidaram como peças fundamentais da equipe comandada pelo treinador espanhol.

Técnico de casa, agora no profissional

Após a eliminação nos pênaltis para a seleção de Marrocos, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2022, a Espanha se viu em um limbo no cenário mundial. Desde o título conquistado em 2010, a Fúria não havia conseguido voltar às quartas de final da competição. O sinal de alerta estava aceso, e a solução parecia estar no próprio quintal: o treinador que havia conquistado a medalha de prata nos Jogos Olímpicos um ano antes estava pronto para liderar uma nova geração.

Dois anos depois, a Europa conheceu o potencial daquele novo time. Em uma campanha invicta, a Espanha conquistou a Eurocopa de 2024, superando quatro seleções campeãs mundiais, entre elas a Inglaterra, derrotada na final. A equipe era liderada por Rodri, eleito o melhor jogador do mundo naquele ano, mas quem roubava as atenções era um adolescente de apenas 17 anos: Lamine Yamal.

Em 2025, a equipe não teve a mesma sorte em outra decisão continental. Na final da Liga das Nações, a Espanha foi superada por Portugal nos pênaltis, após empate por 2 a 2 na prorrogação. Agora, a seleção chega à terceira final em três anos, novamente sob o comando de Luis de la Fuente.

Seleção da Espanha
Seleção espanhola chega em busca da segunda taça da Copa do Mundo (Foto: Reprodução/ Instagram @sefutbol)

A escola espanhola

O estilo espanhol começou a ser consolidado no fim da década de 2000. Fortemente influenciada pelo chamado “cruyffismo”, desenvolvido no Barcelona, a seleção da época era formada por grande parte dos jogadores do clube catalão que conquistou o mundo sob o comando de Pep Guardiola.

Assim, o famoso tiki-taka também passou a ser a identidade da seleção espanhola, que conquistou duas Eurocopas e a Copa do Mundo de 2010. O sucesso daquele período serviu de alicerce e inspiração para uma nova geração de jogadores e treinadores, que buscaram implementar a mesma filosofia desde as categorias de base, culminando na equipe que hoje disputa mais uma final de Mundial.

Independentemente do resultado da decisão, a campanha da Espanha comprova que o sucesso da seleção não surgiu por acaso. Ele é fruto de um planejamento de longo prazo, conduzido por Luis de la Fuente ao longo de 13 anos na Federação Espanhola e consolidado agora no maior palco do futebol mundial.

Projeto Focas na Massa: texto produzido pelo aluno Luiz Miguel Ribeiro Candido, do 5º período do curso de Jornalismo da Universidade Positivo; texto revisado e com supervisão de Guilherme Becker.

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