Rivalidade histórica

Técnico alemão Thomas Tuchel no comando da Inglaterra reacende rivalidade entre países

Alemão no comando do English Team traz à tona uma rivalidade que já definiu Copa do Mundo

Thomas Tuchel
Tuchel deixa rivalidade de lado e busca levar a Inglaterra ao topo do futebol mundial novamente (Foto: Reprodução/ Instagram @england)

Possível adversária do Brasil nas quartas de final, a Inglaterra também chega ao torneio com um técnico estrangeiro. Mas, diferentemente de Brasil e Itália, o caso de ingleses e alemães envolve uma história muito mais conturbada. A rivalidade, que nasceu há décadas, ganha agora um novo capítulo na relação entre o treinador Thomas Tuchel e a seleção inglesa.

Rivalidade Alemanha x Inglaterra 

A rixa entre as nações nasceu no início do século XX. Com o rápido crescimento do poderio naval alemão, o Império Britânico se viu confrontado no domínio dos mares. Posteriormente, esse problema se intensificou, resultando em conflitos diretos que foram para os campos de batalha na Primeira e na Segunda Guerra Mundial.

Com os embates fora de campo, a rivalidade transbordou para a sociedade, para a mídia e, consequentemente, para as torcidas. O primeiro grande jogo entre as seleções foi a final da Copa do Mundo de 1966, na qual os ingleses decidiram o título em casa, em Wembley. A partida trouxe aos britânicos seu primeiro e único troféu da competição, após vencerem a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na prorrogação.

Apesar da derrota em 1966, a Alemanha deu a volta por cima, eliminando a Inglaterra em sequência em competições relevantes. Os ingleses foram despachados na Copa do Mundo de 1990 e na Eurocopa de 1996, em ambas as ocasiões, nas semifinais, ambas decididas nos pênaltis.

Retrospecto recente

Apesar da rivalidade histórica, o equilíbrio marcou os encontros mais recentes entre as seleções. Desde 2000, as seleções se enfrentaram 13 vezes, com 5 vitórias para cada lado e 3 empates. Os encontros ocorreram em diferentes cenários: três em Copas do Mundo, dois em Eurocopas, dois na Liga das Nações e seis em amistosos.

Entre as partidas mais marcantes está a despedida do antigo Estádio de Wembley. Pelas eliminatórias para a Copa de 2002, as equipes se enfrentaram em um duelo que terminou em 1 a 0 para a Alemanha. A derrota foi considerada tão vexatória para os ingleses, por se despedirem de um estádio tão marcante para o país com um revés, que o técnico Kevin Keegan pediu demissão ainda no vestiário, logo após o fim do jogo.

Na Copa da África do Sul, em 2010, houve um novo confronto marcante entre as equipes. Nas oitavas de final, a Alemanha vencia a Inglaterra por 2 a 1 quando, em um chute de Frank Lampard, a bola encobriu Manuel Neuer, bateu no travessão, quicou dentro do gol e saiu. O árbitro, porém, não validou o lance. O erro foi tratado por parte da imprensa e dos torcedores alemães como o “troco” pela final de 1966, na qual a Inglaterra teve um gol validado após a bola bater no travessão e quicar sobre a linha, polêmica que divide opiniões até hoje. No fim, os alemães venceram a partida de 2010 por 4 a 1.

Estrangeiros no comando da Inglaterra

A escolha de um técnico estrangeiro para comandar a seleção inglesa é algo muito incomum. Na história, até a chegada de Thomas Tuchel, apenas dois treinadores não britânicos haviam assumido o cargo. O sueco Sven-Göran Eriksson foi o primeiro, liderando de 2001 a 2006 a chamada “Geração de Ouro” da Inglaterra, que contava com nomes como John Terry, Steven Gerrard, Frank Lampard, David Beckham, Wayne Rooney e Michael Owen.

Outro nome a comandar os ingleses foi o italiano Fabio Capello. Ele treinou a seleção de 2008 a 2012, ficando marcado justamente pela eliminação contra a Alemanha na África do Sul, em 2010.

Em 2024, após a derrota para a Espanha na final da Eurocopa, Gareth Southgate deixou o comando da seleção. Em 2025, Thomas Tuchel assumiu o English Team. O alemão chegou respaldado por títulos expressivos em clubes, incluindo uma Bundesliga, duas Ligue 1 e uma Liga dos Campeões pelo Chelsea, além de ter levado o PSG à sua primeira final europeia na história (ocasião em que foi derrotado pelo Bayern de Munique por 1 a 0). 

Recepção inglesa a Tuchel

A rivalidade histórica entre os países gerou tensões entre o treinador e uma parcela da imprensa e dos torcedores. O anúncio de Tuchel chegou a ser classificado como um “dia sombrio para a Inglaterra” pelo Daily Mail, tabloide britânico.

A conhecida franqueza do treinador alemão aumentou esses conflitos quando, após uma vitória sobre o País de Gales por 3 a 0, ele criticou a torcida pela falta de apoio: “Faremos tudo de novo para sermos contagiosos, não há problema. Tenho certeza de que vamos animar todo mundo, depende de nós. Mas hoje à noite fiquei um pouco decepcionado”.

Setores da torcida organizada ficaram furiosos com o comentário. Os torcedores usaram como contra-argumento o fato de os jogos no meio da semana dificultarem o acesso do público local mais fervoroso, resultando em arquibancadas compostas majoritariamente por turistas. O alto valor dos ingressos também foi apontado como justificativa.

Thomas Tuchel
(Foto: Reprodução/ Instagram @england)

Mudança de percepção com o desempenho em campo

Nos oito anos da era Southgate, a seleção era amplamente cobrada para que transformasse seu elenco de “estrelas” em uma realidade coletiva nos gramados. Com a chegada de Tuchel, mesmo sob piadas e críticas, o time conseguiu desempenhar um futebol mais vistoso nas eliminatórias para o Mundial. A campanha nas eliminatórias terminou com aproveitamento máximo, em oito partidas, a equipe obteve oito vitórias, marcou 22 gols e não sofreu nenhum. A mídia reconheceu a organização tática que o alemão trouxe, uma virtude que parecia faltar na gestão anterior.

Ao definir a convocação para a Copa do Mundo de 2026, o técnico manteve sua postura firme, deixando de fora jogadores de forte apelo midiático, como Harry Maguire, Alexander-Arnold, Phil Foden e Cole Palmer. Em contrapartida, a escolha por Jordan Henderson foi muito questionada devido à sua idade avançada e a uma temporada no Brentford que não justificava sua permanência na seleção. Apesar das críticas, o veterano manteve a confiança do técnico.

Já no Mundial, os ingleses terminaram a fase de grupos com vitórias por 4 a 2 contra a Croácia e 2 a 0 contra o Panamá, além de um empate sem gols contra Gana. A primeira fase do mata-mata trouxe um duelo tenso contra a RD Congo. A Inglaterra carimbou a vaga por 2 a 1, em uma partida na qual sofreu para buscar a virada no segundo tempo, graças ao oportunismo do artilheiro Harry Kane.

A percepção de torcedores e imprensa vem sendo mista. O início contra a Croácia empolgou, mas as dificuldades apareceram no empate contra Gana e na virada em cima da RD Congo, mostrando que o trabalho ainda precisa melhorar caso queira ser campeã do mundo

A classificação suada mantém a percepção dividida. Se o início contra os croatas trouxe empolgação, as dificuldades contra ganeses e congoleses ligaram o sinal de alerta.

Projeto Focas na Massa: Texto produzido pelo aluno Guilherme Ribas, do 1° período do curso de Jornalismo da Universidade Positivo; texto revisado e com supervisão de Guilherme Becker.

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