Rivalidade histórica
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Amor verde e amarelo
Futebol brasileiro conquista milhares de seguidores em países asiáticos
As comemorações de gols da Seleção Brasileira há muito tempo deixaram de ficar confinadas ao território e aos corações tupiniquins. Com o início da Copa do Mundo 2026, a internet foi inundada por vídeos que provam como as fronteiras geográficas não são suficientes para barrar o carinho e a obsessão global pelo futebol do Brasil.
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Bangladesh é um dos principais protagonistas dessa paixão. Os quase 16 mil quilômetros de distância não impediram que a “amarelinha” conquistasse o coração de milhões de bengaleses. Em Daca, capital do país, locais como a Universidade de Dhaka tornaram-se ponto de encontro para milhares de torcedores que se reúnem em frente aos telões para assistir aos jogos do Brasil.
A febre se espalha pelo interior do país. Em Brahmanbaria, a cerca de 100 quilômetros da capital, vídeos mostram torcedores pintando suas casas inteiramente de verde e amarelo, além de criarem murais em homenagem aos craques da seleção. Já em Shariatpur, as promessas foram ao extremo: jovens ganharam as manchetes locais ao fazerem uma motociata para à Seleção Brasileira e declararam que não vão se casar até que o Brasil conquiste o hexacampeonato mundial.
No entanto, o país asiático também reflete a clássica rivalidade sul-americana entre Brasil e Argentina. Os amantes do futebol em Bangladesh se dividem amplamente entre as duas potências, gerando debates acalorados dentro e fora de casa. Recentemente, um vídeo que viralizou nas redes sociais mostrou um grupo de torcedores brasileiros jogando um torcedor argentino em um rio após a vitória brasileira no jogo contra o Haiti.
Essa conexão intensa já havia chamado a atenção durante a Copa do Mundo de 2022. A comoção pelo título da Argentina naquele ano foi tão grande que cunhou a expressão “Bangladesh-Argentina”, criando uma ponte diplomática real. O fenômeno levou o goleiro campeão do mundo, Emiliano Martínez, a visitar Daca, e culminou na reabertura da embaixada argentina no país após décadas de fechamento.
A festa apoteótica para a Seleção Brasileira também se repete em nações como Índia, Paquistão, Líbano e Indonésia. Um dos registros recentes mostra uma multidão de paquistaneses celebrando efusivamente a vitória do Brasil contra o Japão, embalada pela narração do gol de Gabriel Martinelli.
O estado de Kerala, na costa sudoeste da Índia, é um dos locais dessa torcida. Por lá, além das tradicionais bandeiras, os torcedores erguem outdoors gigantescos de mais de 100 metros com imagens da equipe brasileira e painéis monumentais de Neymar por inteiro. Grande parte dessa mobilização é coordenada por fã-clubes organizados, como o Brazil Fans Kerala (BF Kerala), que promove passeatas em dias de jogos, campanhas sociais e eventos públicos para assistir às partidas.
Esse amor pela Seleção Brasileira preenche o vazio deixado pela falta de uma seleção nacional competitiva no cenário mundial, transformando a Copa do Mundo em um evento de “nacionalismo emprestado”. A raiz histórica desse fenômeno remonta a 1970, primeira Copa transmitida pela TV. Com a popularização dos aparelhos a cores nos anos 1980, o torneio virou um fenômeno de massas, consolidando a popularidade global da seleção e de Pelé. Para as gerações mais velhas desses países, o Brasil foi o primeiro grande time que viram jogar, criando uma forte memória afetiva.
Essa paixão virou um legado familiar, transmitido de pais para filhos e netos. Quem antes se encantou com o “Joga Bonito” de Pelé hoje vê as novas gerações torcendo por Neymar e Vinícius Júnior. Pelé, inclusive, tornou-se um mito global e sua trajetória foi imortalizada nos livros didáticos das escolas primárias de Bangladesh a partir de 1971, através de Sheikh Mujibur Rahman, ex-primeiro ministro e líder da independência do país, que traduziu a biografia de Pelé e tornou essa leitura obrigatória para as crianças, perpetuando a admiração pelo Rei e pelo futebol brasileiro desde a infância.
Projeto Focas na Massa: Texto produzido pela aluna Mariana Post Santos, do 1° período do curso de Jornalismo da Universidade Positivo; texto revisado e com supervisão de Guilherme Becker.
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