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Resgate bem sucedido
Ministério Público acionou a força policial após idosa descumprir acordo de castração, mantendo os animais confinados em situação de extrema insalubridade
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou apoio da polícia para garantir a entrada forçada de equipes técnicas e veterinárias em um imóvel na cidade de Concórdia. A medida extrema foi necessária para interromper o sofrimento de cerca de 400 gatos no apartamento, que viviam confinados em condições sanitárias degradantes.
A decisão judicial e a abertura de um inquérito na Polícia Civil ocorreram após a tutora dos felinos, uma aposentada de 75 anos, descumprir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado anteriormente. De acordo com relatórios da Diretoria de Proteção e Bem-Estar Animal, a idosa vinha criando barreiras e impedindo o acesso dos fiscais e voluntários ao local para tratar os bichos.
Segundo o histórico levantado pela Prefeitura de Concórdia, a situação teve início há pouco mais de dez anos, quando a moradora adotou apenas um casal de felinos. Sem a realização da castração, a reprodução desenfreada fez o número de animais saltar. Uma contagem oficial realizada pela Secretaria de Meio Ambiente no ano passado chegou a registrar a marca de 424 felinos dividindo o mesmo teto.
ONGs locais e clínicas veterinárias da região relatam que tentaram intervir amigavelmente diversas vezes ao longo da última década, oferecendo cirurgias de castração e campanhas de adoção de forma 100% gratuita. No entanto, a idosa sofria de transtorno de acumulação e recusava qualquer tipo de ajuda.
“Ela não aceitava doar, não aceitava castrar. Muitas clínicas ofereciam tudo de graça e ela não levava os animais”, afirmou Ana Cristina Preis, responsável pela ONG Con Animal.
A constatação de maus-tratos e o risco à saúde pública motivaram a ação do Ministério Público. Voluntários que tiveram acesso inicial ao local descreveram o cenário como caótico. Devido à superlotação de mais de 400 gatos no apartamento, os felinos enfrentavam desnutrição severa e estavam infestados por pulgas, piolhos e vermes.
Muitos animais apresentam feridas abertas na boca que os impedem de ingerir ração e água adequadamente. O relatório aponta que o número total de sobreviventes mudou nos últimos meses, devido a uma alta taxa de mortalidade por doenças transmissíveis e também porque dezenas de gatos conseguiram escapar por rasgos nas telas das janelas.
Com a liberação da ordem de arrombamento e resgate, os animais sobreviventes estão sendo encaminhados gradativamente para o setor técnico do curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal Catarinense (IFC) de Concórdia. No hospital escola, os felinos passam por triagem médica, aplicação de remédios, exames de sangue e recebem um microchip de identificação.
Antes de estarem aptos para castração e posterior adoção, os bichos passarão por um período obrigatório de isolamento em quarentena para frear o contágio de viroses felinas. Os protetores alertam que o processo de adoção será complexo, pois os animais cresceram sem contato com o mundo exterior e demonstram comportamento arisco e pouco socializado. As autoridades informaram que os candidatos a tutores passarão por entrevistas rigorosas antes de levarem os felinos para casa.
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