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Fósseis em Curitiba revelam como era a cidade há 40 milhões de anos

Os fósseis encontrados na capital paranaense mostram que a região teve um papel importante na biodiversidade do continente há milhões de anos

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Foto: Hully Paiva

Neste domingo (29), Curitiba completa 333 anos, mas, muito antes disso, o território já estava cheio de vida. Pesquisas recentes com fósseis em Curitiba identificaram novas espécies de animais pré-históricos que habitaram a região milhões de anos antes da presença humana. Os materiais foram encontrados na Formação Guabirotuba e ajudam cientistas a compreender a evolução da fauna sul-americana.

As descobertas fazem parte de estudos conduzidos pelo paleontólogo Fernando Sedor, coordenador do Museu de Ciências Naturais da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os fósseis foram encontrados na Formação Guabirotuba, uma área geológica importante localizada dentro da capital paranaense.

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Segundo o pesquisador, os fósseis em Curitiba ajudam a preencher lacunas importantes sobre a evolução de vertebrados na América do Sul e no mundo.

“Por muito tempo o nosso continente ficou isolado dos outros, o que resultou no surgimento de animais que só podem ser encontrados por aqui. Formações com fósseis desse tipo existem apenas em três locais no Brasil e Curitiba é um desses pontos”, explicou.

Formação Guabirotuba guarda história de milhões de anos

O principal local das descobertas é um terreno localizado ao sul de Curitiba, próximo à divisa com o município de Araucária. A área corresponde ao último remanescente da chamada Formação Guabirotuba, que preserva registros de animais que viveram há cerca de 40 milhões de anos.

Naquela época, a paisagem era completamente diferente da atual. O clima apresentava forte variação entre verão e inverno e a região funcionava como uma grande depressão geográfica, semelhante ao Pantanal brasileiro.

Diversos rios e riachos cortavam o território e foram fundamentais para preservar os restos de animais ao longo dos milhões de anos. Durante períodos de chuva intensa, ossos e fragmentos eram levados para vales e cobertos por sedimentos, formando os depósitos fossilíferos encontrados hoje.

Novas espécies de tatus pré-históricos foram descobertas com os fósseis em Curitiba

Durante as escavações na Formação Guabirotuba, pesquisadores identificaram pelo menos cinco novas espécies de tatus ancestrais. Esses animais representam formas primitivas que deram origem às espécies atuais.

A identificação ocorreu a partir da análise da carapaça dos animais, formada por pequenas placas ósseas chamadas osteodermos. As diferenças no formato, na quantidade e na forma de encaixe dessas placas permitiram reconhecer espécies que não correspondem a nenhum animal já descrito pela ciência.

“Encontramos fragmentos de tatus com características que não aparecem em nenhuma outra espécie, viva ou extinta. Por isso são considerados animais inéditos”, explicou Sedor.

Entre os exemplares descobertos está o Parutaetus oliveirai, que tinha aproximadamente o tamanho de um tatu-peludo, podendo atingir cerca de 40 centímetros de comprimento.

Outro destaque é o Proecoleophorus carlinii, que alcançava o porte do tatu-canastra, atualmente a maior espécie de tatu existente.

Curitiba também teve grandes predadores

Além dos tatus pré-históricos, a região de Curitiba abrigava uma fauna bastante diversa. Fósseis indicam a presença de anfíbios, peixes, aves e diversos mamíferos, incluindo parentes antigos dos gambás.

Alguns desses marsupiais tinham pequeno porte, mas outros chegavam ao tamanho de um cachorro. Eles pertenciam ao grupo dos metatérios, que inclui espécies extintas e ajuda os cientistas a entender a evolução dos marsupiais na América do Sul.

Entre os predadores, chamam atenção os crocodilianos terrestres gigantes, que viviam fora da água e possuíam dentes serrilhados adaptados para a caça.

Outro grupo impressionante eram as chamadas “aves do terror”, aves carnívoras que podiam ultrapassar dois metros de altura. Incapazes de voar, eram corredoras rápidas e utilizavam o bico e as pernas longas para capturar suas presas.

Ao lado desses animais conviviam também aves menores, anfíbios e peixes semelhantes aos atuais cascudos.

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