Momento raro

Mulher dá à luz em Fernando de Noronha mesmo com norma que proíbe partos

Moradora temporária buscou o hospital com dores lombares sem informar a gestação; em trabalho de parto avançado com 41 semanas, a paciente não pôde ser transferida

 

Uma mulher deu à luz em Fernando de Noronha, onde partos são proibidos há 20 anos. Bebê foi transferido para exames em Recife.
Desde a desativação da maternidade local em 2004, o Governo de Pernambuco orienta que as gestantes deixem a ilha a partir da 28ª semana de gravidez (Foto: Reprodução/Wikipédia)

Um parto mobilizou a equipe de saúde da ilha de Fernando de Noronha. Uma mulher deu à luz um menino no Hospital São Lucas no último domingo (26), contrariando a política de restrição a nascimentos na ilha desde 2004. Devido ao adiantado estado de dilatação, não houve tempo para a transferência da paciente ao continente.

A gestante, que trabalha em uma pousada local e reside temporariamente na ilha, procurou a unidade de saúde relatando fortes dores lombares. Inicialmente, ela negou a possibilidade de estar grávida. No entanto, a avaliação clínica e um exame de confirmação (Beta HCG) atestaram a gestação de 41 semanas.

LEIA TAMBÉM

Acolhimento de urgência e transferência de UTI aérea

Por não possuir infraestrutura para partos de alta complexidade ou maternidade, o protocolo do Hospital São Lucas exigiu um atendimento multiprofissional imediato de emergência.

A equipe realizou o procedimento com sucesso na própria unidade de saúde, mantendo a mãe e o recém-nascido em estado clínico estável. Nesta segunda-feira (27), o recém-nascido foi transferido para o Recife em uma UTI aérea do Grupamento Tático Aéreo (GTA) para a realização de exames neonatais de rotina, como os testes do pezinho e da orelhinha.

Este parto trata-se de um evento raríssimo no arquipélago, visto que os últimos registrados na ilha haviam ocorrido em 2021 (com uma turista) e em 2018.

Por que os partos são proibidos na ilha?

Desde a desativação da maternidade local em 2004, o Governo de Pernambuco e o Ministério da Saúde orientam que as gestantes deixem a ilha a partir da 28ª semana de gravidez para realizar o pré-natal final e o parto em maternidades de referência no Recife. A Administração de Noronha custeia a estadia, transporte e alimentação das grávidas na capital.

A medida visa contornar a ausência de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e de equipes cirúrgicas permanentes no Hospital São Lucas, garantindo suporte médico adequado caso surjam complicações.

A proibição é tema de recorrentes debates entre moradoras locais sobre o direito ao nascimento em seu território de origem, enredo retratado no documentário Proibido Nascer no Paraíso (2021). Apesar da diretriz médica de transferência, a legislação atual assegura que o bebê nascido no local poderá ser registrado com a naturalidade de Fernando de Noronha.

Para mais notícias da categoria é bizarro, acesse o Massa.com.br.