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Museu Paranaense traz a Curitiba indígenas Mebêngôkre-Kayapós, do Pará

MUPA traz a Curitiba grupo de indígenas Mebêngôkre-Kayapós do Pará –
Foto: Simone Giovine-Associação Floresta Protegida

O Museu Paranaense (MUPA) está se preparando para promover, nesta semana, um dos encontros mais significativos e delicados que já aconteceram em seus 145 anos de existência. De um lado, o público fiel do MUPA, do outro, o grupo de indígenas da etnia Mebêngôkre-Kayapó, do Pará.

Além do encontro com os paranaenses para uma oficina de pintura corporal, o grupo vem até Curitiba para ficar frente a frente, pela primeira vez, com um acervo etnográfico e imagético que registra seu povo. Os Mebêngôkre-Kayapó estão representados no museu por meio da Coleção Vladimir Kozák e da Coleção João Américo Peret.  

Formado por Beppre re Kayapó, Kokodjy Kayapó, Mrynho re Kayapó, Bekwynhtokti Kayapó, Mrodjanh Kayapó e Moxare Kayapó, o grupo fará uma verdadeira travessia pelo Brasil, saindo – alguns pela primeira vez na vida e sem falar português – da aldeia Kubenkrãkenh, no município paraense de Ourilândia do Norte, para compartilhar habilidades e saberes ancestrais com o público do Museu Paranaense.

Eles estarão acompanhados do início ao fim da viagem pelo antropólogo Daniel Tibério Luz, da Associação Floresta Protegida. Levarão cinco dias para chegar até Curitiba, com a jornada dividida entre trajeto a pé, de barco, caminhonete e, por fim, o trajeto aéreo.

Oficina

Neste sábado (14) e domingo (15) o grupo de mulheres indígenas fará no museu a oficina “Jenipapo, pintura corporal e grafismos Mebêngôkre-Kayapó”, na qual pintarão com a pigmentação oriunda de dois elementos vegetais – o jenipapo e o carvão vegetal – partes do corpo dos visitantes interessados em conhecer mais sua cultura tradicional. As pinturas corporais são consideradas roupas que versam sobre as fases da vida: luto, nascimentos e cerimônias.

As oficinas acontecem das 14 horas às 18 horas, e não há necessidade de inscrição prévia. O público será atendido por ordem de chegada. 

O grupo também traz ao museu uma gama variada de artesanatos feitos em sua aldeia. No sábado, a partir das 14 horas, será possível acompanhar uma breve apresentação de Daniel Tibério Luz sobre os trabalhos desenvolvidos com os Mebêngôkre-Kayapó, contextualização do histórico da região de Tucumã-PA e aldeia Kubenkrãkenh.

As pinturas e seus significados

Os mais elaborados desenhos de traços são pintados pelas mulheres, que exercem o papel de preservação e de perpetuação desse conhecimento. Desde a infância, as menires, como são chamadas nas aldeias, aprendem as pinturas características de seu povo e as disseminam por gerações, fortalecendo durante esse processo, principalmente, as relações entre os Mebêngôkre-Kayapós e suas aldeias. 

Além de exibir a identidade Mebêngôkre, esse tipo de arte corporal também é usado em rituais, encontros, adornos e festejos. Uma mulher pode se pintar de preto com extrato de jenipapo, por razão do filho ter completado um ano de idade, marcando com isso a possibilidade dela voltar a participar das atividades cotidianas da aldeia, depois desse um ano de uma série de prescrições.

A etnia

O termo kayapó é herança do início do século XIX. Eles próprios não se designam por esse termo, alcunhado por grupos vizinhos para nomeá-los e que significa “aqueles que se assemelham aos macacos”. Os Kayapó se referem a si como mebêngôkre, “os homens do buraco/lugar d’água”. Mas, como popularmente disseminou-se o termo kayapó, é comum nos dias de hoje que sejam referidos pela junção entre as duas designações: “Mebêngôkre-Kayapó”.

Os Mebêngôkre-Kayapó são conhecidos no Brasil e no Exterior por sua presença e atuação contundente em pautas políticas e ambientais, como é o caso do cacique Raoni Metuktire, reconhecido pela luta em prol da preservação da Amazônia e da vida dos povos indígenas. 

Serviço

Oficina de pintura corporal “Jenipapo, pintura corporal e grafismos Mebêngôkre-Kayapó”

Datas: sábado (14) e domingo (15)

Local: Museu Paranaense

Atividade gratuita, a pintura individual será feita por ordem de chegada

Sábado – das 14h às 18h – no primeiro dia haverá uma breve apresentação do antropólogo da Associação Floresta Protegida, Daniel Tibério Luz, sobre os trabalhos desenvolvidos com os Mebêngôkre-Kayapó, contextualização do histórico da região de Tucumã-PA e aldeia Kubenkrãkenh. 

Domingo – das 10h às 13h30

Informações da Agência Estadual de Notícias