EMPREENDEDORISMO FEMININO

Empreendedorismo feminino cresce no Paraná e histórias inspiram novas empresárias

Mãe e filha transformaram bolachas decoradas em negócio

Bolachas Verart´s
Foto: Divulgação/Verart´s

O empreendedorismo feminino segue em expansão no Paraná e cada vez mais mulheres têm apostado em negócios próprios como forma de independência financeira, realização pessoal e construção de carreira. 

Dados recentes do Sebrae apontam que o estado conta com 934.815 mulheres empresárias, o que representa 46,5% do total de empresas registradas. 

Empreendedorismo feminino cresce e fortalece pequenos negócios

A maioria desses negócios está concentrada nos chamados pequenos empreendimentos: 90,6% são micro ou pequenas empresas, incluindo microempreendedoras individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). 

Na regional de Curitiba, por exemplo, são 230.956 empresas lideradas por mulheres, correspondendo a 48,3% dos empreendimentos ativos. 

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O cenário do empreendedorismo feminino reforça uma tendência de crescimento da participação das mulheres no ambiente empresarial, especialmente em setores ligados a serviços, alimentação, moda e bem-estar.

Mãe e filha transformam desafio em negócio

Um exemplo desse movimento é a história da empresa Verart’s Bolachas Decoradas, criada pela designer e fotógrafa Amanda Osiowy e por sua mãe, Vera Osiowy .

Antes da pandemia, as duas trabalhavam em áreas diferentes. Amanda atuava com fotografia de família e marketing digital, enquanto Vera fazia decoração de festas. Com a suspensão de eventos em 2020, mãe e filha viram suas principais fontes de renda desaparecerem.

Foi nesse contexto que surgiu a ideia de fazer bolachas decoradas, inicialmente apenas para a família.

“A mama [Vera] sempre gostou muito de bolachas decoradas e resolveu experimentar fazer. A gente postou nos stories do perfil da empresa como algo despretensioso e começaram a perguntar quanto custava”, conta.

Amanda e Vera
Foto: Divulgação/Verart´s

Dia dos Avós marcou início do sucesso do negócio

O primeiro sucesso veio no Dia dos Avós de 2020. Na época, muitas famílias evitavam visitar idosos por causa da pandemia, e as bolachas viraram uma forma de demonstrar carinho à distância.

“A gente virou quase um pombo-correio, levando as bolachas até os avós no lugar das famílias. Foi muito emocionante. Teve muito choro, tanto deles quanto nosso”, lembra Amanda.

Com o aumento dos pedidos para outras datas comemorativas, como Dia dos Pais, Dia dos Professores e Natal, as empreendedoras perceberam que o negócio poderia crescer.

“A gente resolveu abrir uma empresa de fato quando recebemos o primeiro pedido corporativo que precisava de nota fiscal. Ficamos com medo, mas decidimos arregaçar as mangas e fazer acontecer”, afirma Amanda.

Bolachas Verart´s
Bolachas Verart´s
Mãe e filha comandam todas as etapas da empresa

Hoje, a empresa é tocada basicamente pelas duas. Elas produzem as bolachas, cuidam das redes sociais, atendem clientes, gravam cursos e ministram mentorias para outras confeiteiras.

“Somos uma dupla de fato. Fazemos massa, glacê, decoramos, embalamos, entregamos, gravamos aula e respondemos nossas alunas. Tudo passa por nós duas”, diz.

No início da jornada, o maior desafio foi lidar com o universo empresarial sem experiência prévia.

“Nem eu nem minha mãe tínhamos aberto uma empresa antes. Foi um processo de desbravar sozinhas esse universo”, conta Amanda.

Mulheres lideram setor de bolachas decoradas

No setor de confeitaria e bolachas decoradas, a presença feminina é predominante, o que cria um ambiente de troca e colaboração.

“Quando a gente fala de bolachas decoradas, quase todo o público é feminino. Em seis anos de empresa conhecemos pouquíssimos homens nesse ramo”, diz Amanda.

Mesmo assim, ela destaca que ainda existe um desafio cultural: fazer com que o trabalho de quem empreende em casa seja levado a sério.

“Muitas pessoas acham que é só um passatempo, porque a confeiteira trabalha em casa. Mas é um negócio, é trabalho de verdade”, explica.

A empresária acredita que criar um negócio próprio permite que mulheres tenham mais controle sobre os próprios planos e conquistas.

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