Eleições 2026
Justiça
Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) acusa Moro e o candidato a vice Edson Vasconcelos de possível abuso de poder econômico relacionado à utilização da estrutura da Fiep durante o período que antecedeu as eleições de 2026
A chapa de Sergio Moro (PL) e Edson Vasconcelos (PL), que concorre a disputa pelo Governo do Paraná, é alvo de uma investigação da Justiça Eleitoral. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) pode resultar na cassação dos registros dos candidatos e na inelegibilidade por oito anos, em virtude de um possível abuso de poder econômico.
Conforme o documento, a investigação está ligada à utilização da estrutura da Federação das Industrias do Estado do Paraná (Fiep) durante o período que antecedeu as eleições 2026. A acusação aponta que Sergio Moro teria usado eventos promovidos pela Fiep como uma espécie de plataforma de exposição eleitoral para a chapa Sergio Moro–Edson Vasconcelos.
A Fiep promoveu os eventos, cujas despesas estão sob investigação, em Guarapuava, Pato Branco, Cambé, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, Irati e Curitiba. Segundo a ação, a participação de Moro, como ‘convidado de honra’, no período em que ainda exercia o cargo de senador, teria extrapolado a pauta industrial e adquirido contornos eleitorais.
O desembargador Fernando Prazeres concedeu parcialmente a liminar e determinou que a Fiep preserve todos os documentos fiscais e contábeis relacionados a: Fóruns Regionais da Indústria de 2024, Fóruns Regionais da Indústria de 2025, Expo+Indústria de 2026 e Assembleia Geral Extraordinária de 26 de agosto de 2026.
A preservação inclui contratos, notas de empenho, ordens de serviço, comprovantes de pagamento e registros contábeis. A Fiep terá cinco dias a partir da intimação para informar ao tribunal quais documentos foram preservados. Se descumprir a determinação, foi fixada multa de R$ 30 mil.
Em nota, a equipe da campanha de Sergio Moro declarou que o candidato ainda não foi comunicado formalmente sobre a ação. Confira a nota na íntegra:
“Sergio Moro ainda não foi formalmente cientificado da ação; contudo, o tema não é novo.
Alegações semelhantes já foram utilizadas no debate eleitoral em relação à participação de Sergio Moro nos Fóruns Regionais da Indústria realizados pela Fiep em 2025, quando ele exercia o mandato de senador pelo Paraná, ao lado de diversas outras autoridades públicas.
Sergio Moro nunca teve vínculo com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Sua participação ocorreu exclusivamente na condição de senador e autoridade convidada para discutir temas de interesse do Estado.
À época dos eventos, Edson Vasconcelos não mantinha vínculo político, nem era apresentado como possível candidato.
Levantamento documental da defesa demonstra que os Fóruns integravam a programação institucional regular da FIEP e davam continuidade a uma iniciativa iniciada em 2024. Os encontros tinham agenda previamente estabelecida e abordavam temas como infraestrutura, logística, produtividade, energia, empregabilidade e desenvolvimento industrial.
Além de Sergio Moro, participaram empresários, representantes de entidades de classe, prefeitos, secretários, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e outras autoridades de diferentes correntes políticas.
Portanto, não se tratava de eventos organizados em torno de Sergio Moro ou destinados a promover uma futura candidatura, mas de atividades institucionais voltadas à discussão de temas relevantes para o desenvolvimento do Paraná.
Por fim, a defesa ressalta que o ajuizamento de uma ação, por si só, não transforma alegações em fatos comprovados, nem antecipa qualquer conclusão da Justiça Eleitoral”, diz a nota.
Confira a nota na íntegra da Fiep:
“A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) informa que dispõe de amplo, detalhado e organizado acervo documental, incluindo atas, editais de convocação, contratos, notas de empenho e registros contábeis referentes às atividades mencionadas na decisão. No momento oportuno, toda essa documentação poderá ser apresentada de forma transparente e integral, permitindo demonstrar a plena regularidade das deliberações estatutárias, dos eventos institucionais realizados e dos contratos celebrados.
A Fiep reafirma seu compromisso com o rigor institucional, a transparência e o respeito ao devido processo legal. A Federação lamenta mais esse movimento contra a instituição, que, em sua avaliação, carece de fundamentação e se soma a outras iniciativas que buscam utilizar órgãos de controle e a exposição midiática como instrumentos de desgaste reputacional, especialmente em pleno período eleitoral.
A Federação confia na solidez de sua gestão, na regularidade de seus atos e na integridade da documentação que os sustenta. Reitera, ainda, que continuará colaborando com as instituições competentes, com a segurança e a transparência que sempre pautaram sua atuação”, diz a nota.
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