Luto

Morre ex-deputada Arlete Caramês, mãe do menino Guilherme que desapareceu em 1991

Ativista tinha 82 anos e há mais de três décadas buscava informações sobre o filho que desapareceu aos 8 anos

Montagem com fotos de Arlete e Guilherme, o menino desaparecido
Arlete ficou conhecida após o filho de 8 anos desaparecer, em Curitiba (Foto: Reprodução/ Alep)

A ex-vereadora e ex-deputada estadual Arlete Caramês, conhecida como Arlete mãe do Guilherme, morreu nesta terça-feira (24), aos 82 anos. A ex-bancária e política estava internada desde o último sábado (21) e teve a morte confirmada nesta tarde. A ativista ganhou reconhecimento na luta por crianças desaparecidas, após o filho, de 8 anos, desaparecer no bairro Jardim Social, em Curitiba, em 1991.

Nascida em Porto União (SC), Arlete foi uma das principais referências nacionais na defesa das famílias de crianças desaparecidas. Em 1991, o desaparecimento de seu único filho, Guilherme Caramês Tiburtius, então com 8 anos, mudou definitivamente sua história. Sem respostas até hoje, a tragédia levou a ex-bancária a dedicar-se incansavelmente à busca do menino e de outras crianças desaparecidas. No ano seguinte, fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar), organização voltada à prevenção e à localização de menores desaparecidos, que lhe trouxe reconhecimento em todo o país.

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Em 1998, concorreu à Câmara dos Deputados, mas não se elegeu. Em 2000, foi eleita vereadora de Curitiba com a segunda maior votação daquele pleito. Em 2002, Arlete foi eleita deputada estadual, com 22.736 votos, pelo PPS, e assumiu cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná, onde chegou ao cargo de 3ª vice-presidente da Casa. No Parlamento, manteve como prioridade a defesa das crianças e o apoio às famílias atingidas por desaparecimentos, transformando sua dor pessoal em ação pública permanente.

Homenagens para Arlete, a mãe do Guilherme

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) lamentou a morte da ex-vereadora Arlete com uma publicação. “Arlete Caramês foi uma mulher inspiradora, que nos deixou um grande legado. Após um evento traumático, transformou-se em ativista e, também por meio da política, conseguiu avanços efetivos na proteção das crianças e dos adolescentes. Nossos sentimentos aos amigos e aos familiares”, declarou o presidente da CMC, vereador Tico Kuzma (PSD).

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) também lamentou a morte da ex-deputada. “Em busca do filho Guilherme, desaparecido em 1991, Arlete fundou o Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida no Paraná e teve papel decisivo na criação, em 1995, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride)”, relembrou Alexandre Curi (PSD).

A causa da morte de Arlete não foi revelada.

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