Avanço na saúde

Anvisa aprova novo medicamento oral para tratamento de câncer de mama avançado

Remédio Inluriyo é indicado para pacientes com tumores específicos que não podem ser removidos por cirurgia ou que já apresentam metástase

Sede da Anvisa, responsável pela aprovação do registro do Inluriyo, medicamento oral para câncer de mama.
O novo medicamento é destinado ao tratamento de câncer de mama avançado ou metastático, porém com restrições (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento voltado para o tratamento de pacientes com quadros graves de câncer de mama. O remédio, que será comercializado sob o nome de Inluriyo® (tendo como princípio ativo o tosilato de inlunestranto), representa uma nova linha de tratamento para pacientes adultos que enfrentam tumores em estágio localmente avançado ou que já se espalharam para outros órgãos do corpo (metastáticos).

Desenvolvido pela biofarmacêutica Eli Lilly do Brasil Ltda., o remédio traz como grande diferencial o fato de ser administrado por via oral, funcionando como monoterapia, ou seja, sem a necessidade de ser combinado com outros quimioterápicos na rotina do paciente. A indicação médica é voltada especificamente para quem já passou por tratamentos anteriores utilizando a terapia endócrina convencional, mas não obteve a resposta clínica esperada ou enfrentou a progressão da doença.

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Público-alvo e o perfil genético do tumor

O medicamento não é de uso geral, mas sim uma terapia projetada para combater tumores que apresentam assinaturas moleculares e genéticas bastante específicas. Em nota oficial, a Anvisa detalhou que o Inluriyo® demonstrou eficácia em cânceres de mama que reúnem as seguintes características:

  • ER+ (Receptor de Estrogênio Positivo): Significa que as células cancerígenas utilizam o hormônio estrogênio para crescer e se multiplicar;
  • HER2- (Receptor 2 do Fator de Crescimento Epidérmico Humano Negativo): Indica que o tumor não é impulsionado pelo excesso da proteína HER2, o que muda a estratégia de tratamento;
  • ESR1m (Mutação no receptor de estrogênio 1): Uma alteração genética específica que costuma tornar o tumor resistente às terapias hormonais tradicionais de primeira linha.

O impacto da doença no Brasil

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama permanece isolado como a neoplasia maligna de maior incidência e mortalidade entre a população feminina no país.

O balanço estatístico oficial revela que o Brasil registrou a marca de 73.610 novos diagnósticos da doença anualmente. O volume de ocorrências acende o alerta das autoridades de saúde: esse número representa exatamente 30,1% de todos os tipos de cânceres detectados em mulheres em território nacional.

A chegada de medicamentos orais modernos oferece não apenas uma sobrevida com maior qualidade aos pacientes, mas também diminui a necessidade de internações e procedimentos invasivos de infusão hospitalar.

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