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Sangue raríssimo
Voluntária cadastrada no Hemepar possui o fenótipo “p nulo”, essencial para evitar reação transfusional grave em receptora
Uma moradora do Paraná foi a responsável por viabilizar o atendimento de emergência de uma paciente internada em São Paulo que necessitava de uma transfusão com um dos tipos de sangue mais raros do mundo. A doadora, cadastrada no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), possui o chamado fenótipo “p nulo”, característica registrada em apenas três pessoas em todo o Brasil.
A voluntária é Solimari Luzia Machado Andrejczuk, de 29 anos. Conhecida das equipes de coleta no estado e integrada ao Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), ela foi convocada às pressas para retirar a bolsa após uma solicitação da agência transfusional ligada à Fundação Pró-Sangue paulista.
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A necessidade de um doador específico ocorreu porque a paciente atendida em São Paulo desenvolveu o anticorpo anti-PP1Pk, uma defesa natural do organismo extremamente potente. Caso recebesse sangue comum dos grupos tradicionais (A, B, AB ou O), o corpo da paciente destruiria as hemácias recebidas em uma reação transfusional severa, agravando quadros de anemia e trazendo risco à vida.
Para viabilizar a transfusão em segurança, a receptora precisava obrigatoriamente de um doador com o fenótipo “p nulo”, caracterizado pela ausência total dos antígenos P1, Pk e P na superfície dos glóbulos vermelhos.
A descoberta da raridade de Solimari aconteceu anos atrás, durante testes de rotina e pesquisa de anticorpos irregulares feitos nas amostras do Hemepar. Após passar por análises especializadas em laboratórios de apoio, a voluntária foi inserida na lista de doadores especiais.
A mobilização interestadual só foi possível graças à atuação do Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR). Criada em 2013 pelo Ministério da Saúde, a plataforma mapeia doadores com características genéticas singulares em todas as regiões brasileiras para suprir a falta de bolsas locais.
Quando um hospital de qualquer estado não localiza um tipo compatível em seus próprios estoques, a rede dispara um alerta geral. No caso da paciente de São Paulo, a busca apontou o cadastro de Solimari no Paraná, acionando a equipe técnica do Hemepar para a coleta imediata e o envio do material por transporte especializado.
Atualmente, o cadastro nacional contabiliza mais de 2 mil doadores registrados. Desse total, a rede de hemocentros do Paraná já identificou e cadastrou 291 voluntários com perfis sanguíneos raros.
A direção do Hemepar reforça que casos de alta complexidade como esse evidenciam a importância de a população manter o hábito de doar com frequência e manter dados de contato atualizados. Além de identificar fenótipos atípicos nos testes laboratoriais, cada bolsa coletada pode salvar até quatro pessoas nos hospitais após o fracionamento em hemocomponentes.
Para doar sangue no Paraná, os voluntários devem ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 quilos, estar descansados, alimentados e apresentar documento oficial com foto em qualquer unidade de coleta da hemorrede estadual.
Para mais informações sobre saúde, acesse o Massa.com.br
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