Investigação

Viagem de ônibus que tombou e matou 10 pessoas era clandestina, diz ANTT

Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirma que veículo e empresas envolvidas não tinham autorização para realizar viagens interestaduais

PCERJ investiga ônibus do acidente na BR-040 por viagem clandestina. Tragédia na Serra de Petrópolis matou dez passageiras
A tragédia matou dez passageiras, incluindo uma criança de 7 anos e uma jovem grávida de quatro meses (Foto: Foto: Divulgação/CBMERJ)

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) abriu investigação para apurar as irregularidades e a operação de transporte clandestino de passageiros no caso do ônibus que tombou na madrugada de domingo (16), na descida da Serra de Petrópolis na BR-040. O desastre resultou na morte de dez pessoas e deixou quase 40 passageiros feridos.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o veículo que saiu da Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG) com destino à praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, não possuía autorização ou habilitação legal para realizar o transporte interestadual de pessoas.

Irregularidades no registro e fraude com empresas

As investigações da ANTT e dos agentes da 105ª Delegacia de Polícia (Petrópolis) revelaram uma sequência de inconformidades envolvendo a titularidade e a operação do veículo:

  • Registro veicular: O coletivo consta nos registros em nome da Dinna Elles Turismo, com comunicação de venda em andamento para a PIT Tur Transportes Ltda. Nenhuma das duas empresas detém autorização da ANTT para operar viagens interestaduais;
  • Identificação na lataria: O veículo exibia o nome fantasia da Estrela Guia Turismo, empresa que comercializou a excursão, mas que também não consta na lista de transportadoras habilitadas pelo órgão regulador;
  • Adesivagem irregular: O ônibus portava ainda um selo adesivo da ANTT vinculado à empresa Samara, transportadora que, segundo a própria agência, encontra-se inapta para prestar o serviço.

LEIA TAMBÉM

Perícia e responsabilização

O tombamento ocorreu por volta das 4h30 no km 91 da rodovia federal. Peritos do Instituto de Criminalística estiveram no local para recolher indícios que possam apontar falhas mecânicas, excesso de velocidade ou imperícia do motorista.

O inquérito da 105ª DP apura as responsabilidades criminais dos organizadores e das empresas ligadas à viagem irregular. Os responsáveis podem responder por homicídio culposo, lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e usurpação de função pública relacionada ao transporte não autorizado.

Vítimas do acidente

A tragédia matou dez passageiras, incluindo uma criança de 7 anos e uma jovem grávida de quatro meses:

  • Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, 19 anos (grávida de 4 meses)
  • Lavinia Eduarda Souza Dias, 7 anos
  • Jhennifer Ferreira Carvalho, 33 anos
  • Priscilla de Souza Braz, 33 anos
  • Vania Elida de Jesus Crispim, 33 anos
  • Natália Fimiano de Barros, 34 anos
  • Keyla Perucci da Silva, 35 anos
  • Dayanna de Lima Viana, 36 anos
  • Luciana Ferreira Carvalho, 53 anos
  • Alessandra Pereira, 34 anos (faleceu no hospital)

Os feridos continuam recebendo assistência médica distribuídos entre o Hospital Santa Teresa (Petrópolis), o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (Duque de Caxias) e o Hospital Estadual Getúlio Vargas (Penha, Rio de Janeiro).

Para mais notícias da categoria segurança, acesse o Massa.com.br.