Negligência

Cinco horas após ser declarado morto, bebê é encontrado vivo em necrotério

O bebê passou cinco horas no necrotério até que funcionários do IML notaram que ele respirava; pais são investigados por abuso infantil

Vincent Lorenzo Fiordilino, um bebê de apenas 18 meses, foi encontrado vivo respirando dentro do necrotério de um hospital, cerca de cinco horas após ter sua morte declarada.
Vincent está respirando com o auxílio de ventilação mecânica e necessita de sessões diárias de fisioterapia (Foto: Reprodução/GoFundMe)

O pequeno Vincent Lorenzo Fiordilino, um bebê de apenas um ano e seis meses, foi encontrado vivo respirando dentro do necrotério de um hospital, cerca de cinco horas após ter sua morte declarada e assinada por um médico plantonista.

O drama começou em Gilbert, no Arizona (EUA), durante uma confraternização familiar para assistir ao Super Bowl da NFL. Em um momento de distração dos adultos, o menino acabou caindo na piscina da residência e sofreu um quase afogamento. Resgatado inconsciente, ele foi socorrido por paramédicos e deu entrada no Mercy Gilbert Medical Center pouco depois das 17h20. Menos de uma hora após a admissão, o médico responsável pelo atendimento, Aryan Toosi, atestou o óbito da criança.

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“Eu cursei medicina por um motivo”

O teor do boletim de ocorrência oficial da polícia de Gilbert revela sinais graves de negligência e arrogância profissional. Segundo os registros, policiais militares e investigadores que estavam no hospital dando suporte à ocorrência chegaram a contestar o diagnóstico do médico, afirmando que haviam percebido leves sinais de vida no corpo do bebê.

De acordo com o documento policial, o médico Aryan Toosi rebateu as autoridades de forma ríspida, ordenando que os agentes “fizessem o trabalho deles” e o deixassem fazer o dele, disparando na sequência: “Eu cursei medicina por um motivo”.

Até mesmo um detetive relatou ter ouvido “um suspiro audível” vindo do menino antes de ele ser levado para a área de refrigeração. Cinco horas mais tarde, quando os agentes do Instituto Médico Legal (IML) chegaram para recolher o cadáver, constataram: Vincent continuava vivo e lutando para respirar. O bebê foi transferido às pressas de helicóptero para um outro hospital, recebeu o atendimento de emergência e teve alta.

Pais responderão por abuso infantil

Além de apurar o erro e a conduta do corpo clínico do hospital, a polícia também indiciou os pais de Vincent. O Departamento de Polícia de Gilbert recomendou formalmente que o casal responda por acusações criminais de abuso infantil.

Em depoimento aos investigadores, os pais admitiram que haviam fumado maconha na manhã do incidente. A principal linha de investigação aponta que a capacidade de supervisão e os reflexos dos adultos estavam comprometidos pelo efeito do entorpecente, o que permitiu que o bebê de um ano e meio andasse sozinho até a área externa e caísse na água sem que ninguém percebesse.

Em nota enviada à NBC News, a direção do Mercy Gilbert Medical Center classificou o episódio como “uma situação de partir o coração” e garantiu que realizou uma auditoria interna para revisar todos os protocolos de constatação de óbito. O advogado do médico, Scott Holden, limitou-se a dizer que não comentará o caso publicamente, mas pontuou que “há muito mais aspectos médicos neste caso do que foi relatado até agora”.

Embora o Vincent tenha recebido alta hospitalar tempos depois, a família criou uma vaquinha virtual para arcar com os custos de saúde. O menino, que milagrosamente não sofreu danos cerebrais graves devido ao tempo sem oxigenação, hoje respira com o auxílio de ventilação mecânica e necessita de sessões diárias de fisioterapia e acompanhamento médico intensivo.

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