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Com receitas caseiras, empresas paranaenses de doces e salgadinhos fazem sucesso no país

Paulo Pennacchi em Arapongas-Pr
Fabrica de Balas
Foto Gilson Abreu/AEN
Paulo Pennacchi em Arapongas, na Fábrica de Balas.

Uma certeza: qualquer paranaense já se deparou com um pacote de Pipoteca, uma caixinha de Tubetes ou uma bala Lovemania. E se tem alguém que entende de doce certamente é Paulo Hermínio Pennacchi. O mineiro de voz mansa chegou em Arapongas, na região Norte, aos seis anos. Ao lado do pai e dos irmãos, passou por capítulos que renderiam uma novela. É ele quem comanda um conglomerado de fabricação de balas e distribuição de milhares de produtos, capaz de empregar em torno de 500 pessoas entre as sedes de Arapongas e Rolândia, ambas na região de Londrina.

O processo minucioso começou em 1962 pelas mãos do patriarca, Hermínio Antonio Pennacchi. Em um espaço de apenas 15 metros quadrados abriu uma tabacaria, que logo ganhou outras miudezas e algumas caixas de chicletes. Era a senha para a paixão pelos doces e pela logística de distribuição. Logo conseguiu ampliar a estrutura. Primeiro com uma DKW-Vemag Vemaguet (automóvel produzido entre 1958 e 1967) que, restaurada, até hoje brilha em uma das sedes, e depois com a primeira Kombi.

Com a dedicação dos Pennacchi, a loja virou barracão. Depois, um imenso centro de distribuição. E a Vemaguet foi trocada por uma frota de caminhões e utilitários. Em 1993, a família desandou a fazer balas, de todos os tipos e sabores. Hoje, o portfólio conta com 80 variedades, entre mastigáveis, duras e personalizadas para algumas regiões do país, e a produção alcança 8 mil balas por minuto. Arsenal que abastece 15 mil clientes país afora.

Salgado e doce

A família Santos, de Curitiba, também aposta no público infantil, mas com foco na mistura do doce com o salgado, cada um na sua vez. Há 43 anos eles criaram a marca de salgadinhos de milho e pipoca Pipoteca, tão enraizada na cultura de Curitiba que já virou sinônimo da cidade e rendeu histórias e brincadeiras no mundo virtual.

“É, sem dúvida, um orgulho para todos nós”, conta o diretor comercial e um dos proprietários da marca, Alcione dos Santos. Ele divide o comando da empresa instalada no coração da Vila Fanny, tradicional bairro da capital, com os pais e mais sete irmãos. O nome surgiu da combinação de “pipoca” com “discoteca”, em alusão às danceterias da década de 1970 e na onda da novela Dancin’ Days.

O sucesso tem sabor. De uma maneira bem simplória, mistura milho, gordura e o tempero de manteiga. O pacote de cor roxa com salgadinhos inspirados em grãos de milho é o carro-chefe da indústria, responsável por cerca de 50% das vendas e do faturamento da família.

“Todo mundo conhece, pede, não tem jeito. Esse de manteiga é especial”, afirma o empresário, com a experiência de quem ajudou a criar os mais de 12 sabores que compõem o portfólio da Pipoteca.

A Pipoteca conta hoje com 70 colaboradores e produz em torno de sete toneladas por dia, entre salgadinhos e pipoca doce, aquela da embalagem rosa. Paraná e Santa Catarina são os principais mercados da empresa.

Pipoteca. Foto: Gilson Abreu/AEN

Chocolate

Em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, a Barion atua no mercado de doces há mais de 60 anos. Fundada na década de 1960 como uma distribuidora de doces, foi nos anos de 1970 que a empresa começou a fabricação própria, ainda de forma artesanal. Hoje, já na terceira geração da família à frente da gestão da empresa, a Barion produz cerca de 300 toneladas de doces por mês e distribui seus produtos para todo o Brasil.

“Hoje nossos principais mercados são o food service, que são os produtos que vendemos para padarias, confeitarias, restaurantes, o varejo (atacado e supermercados), e fazemos marcas próprias para grandes varejistas e indústrias do ramo”, explica o diretor de Operações da empresa, Alexandre Barion.

Barion. Foto: José Fernando Ogura/AEN

Com cerca de 300 funcionários, a Barion figura entre os três maiores empregadores do município. Na época da Páscoa, contrata cerca de 120 temporários para atender a demanda. Um dos carros-chefes da empresa é o Tubetes, produto criado na década de 1980 e que foi o primeiro rolinho de wafer do Brasil. O sucesso foi tamanho que hoje a marca Tubetes, registrada pela Barion, virou sinônimo de categoria.

Pão de mel, creme de avelã, chocolates, biscoitos. A gama de produtos é grande e a empresa planeja crescer ainda mais. Mesmo com a situação desafiadora imposta pela pandemia, a Barion conseguiu driblar este período, sem grandes impactos. Neste tempo, inaugurou seu e-commerce e tem um projeto de franquias saindo da gaveta, que promete ampliar a distribuição dos produtos da marca em escala nacional.

Informações da AEN