Segurança
Cadê a comida? Curitiba está entre as 5 capitais com a maior inflação do país
Vinícius Rangel, da Rede Massa
A conta não fecha. Nos últimos meses, Curitiba entrou no ranking das capitais com maior inflação do país, segundo o IBGE.
O resultado desse dado dos primeiros cinco meses de 2023, é que os valores que antes eram gastos com comida – numa certa quantidade –, hoje já não dá mais para ser igual. A capital paranaense é a quarta com o dado assustador que tem tirado a paz da população.
Os carrinhos hoje em dia estão cada vez mais vazios, encher ele então, está fora de cogitação, virou raridade. Ir aos supermercados virou uma verdadeira missão para os moradores que lutam dia e noite para tentar encher o carrinho. E mesmo com tanta pesquisa, a situação não está muito fácil. A dona Célia Regina Costa, de 43 anos, tem “gastado a sola do tênis” para achar preços mais atrativos pelas ruas do Centro.
“Toda semana eu fico de lá pra cá, na tentativa de conseguir achar algum produto em promoção, mas quando eu acho que o preço tá bom, eu descubro que na verdade, ele abaixou centavos. Aí sou obrigada a andar de um lado pro outro até achar aquele mercadinho que vai vender mais barato, que baixou pelo menos um valor atrativo”, disse a dona de casa.
Em menos de um mês, os produtos parecem que duplicaram de valor. Luciana Teixeira, 50 anos, confirma que o preço do sabão em pó disparou. “Eu pagava antes R$ 6, R$ 7, hoje está praticamente R$ 21. Aumentou cerca de 40%”, contou a auxiliar administrativa.
No Brasil, a inflação acumulada no ano é de 3,12%. Entre os locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Belo Horizonte (3,58%), Goiânia (3,40%) e Belém (3,27%) são os três primeiros que tiveram altas mais expressivas. Curitiba ficou em quarto lugar com o mesmo valor de Salvador, de 3,23%. As menores taxas ficaram com Recife (2,40%), Rio de Janeiro (2,68%) e Brasília (2,96%).
Produtos com aumento acima de 84%
De fato, está difícil fazer as compras do mês, da semana e até de um dia simples. A reportagem resolveu listar alguns produtos, incluindo aqueles que fazem parte da cesta básica, que sofreram uma alta considerável. Frutas e verduras estão dentro da lista assustadora, além de serviços e remédios.

O responsável por toda essa situação caótica do curitibano é a inflação. Especialistas explicam que ela nada mais é do que o aumento contínuo dos preços de bens e serviços na economia. Medido por índices como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que reflete a perda do poder de compra da moeda.
“Você tem preço dos alimentos, vestuários, combustíveis, de habitação e quando você tem um aumento em todas essas áreas, você tem o fenômeno da inflação acontecendo. Com isso o trabalhador acaba ficando mais pobre com toda essa inflação desenfreada e com expectativa de piora num cenário mais próximo”, explicou o especialista em economia e investimentos, André Novais.
Em maio de 2023, a cesta básica em Curitiba custou R$ 703,83. O oitavo maior valor entre as 17 capitais que entraram na pesquisa do Dieese.
A pergunta que fica é: existe alguma saída para tentar amenizar o cenário e melhorar o poder de compra dos moradores? A única saída encontrada pelos consumidores é pesquisar, fazer a substituição de alguns produtos, e economizar até que os números diminuam.

Por outro lado, especialistas apontam ainda que uma das medidas mais comuns e drásticas utilizadas no combate ao aumento da inflação é o aumento das taxas de juros pelo Banco Central. Esse aumento tem como objetivo reduzir o crédito disponível, diminuindo o poder de compra dos consumidores e, consequentemente, controlando os preços e o custo de vida.
“Não tem como fugir, a única alternativa é pesquisar em todo o lugar, segurar o dinheiro até onde dá e fazer algumas substituições, até que a inflação dê uma segurada e a população consiga voltar a comprar os produtos que antes cabiam no bolso e hoje está fora de controle”, explicou André.
Matéria exibida e veiculada no dia 13/06/2023 na Rede Massa em parceria com o Massa News.