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Investigação
Taíssa e o filho recém-nascido morreram por complicações do parto realizado sem o acompanhamento de nenhum médico
Uma sequência de supostas negligências médicas no Hospital Estadual da Mãe, localizado no município de Mesquita, na Baixada Fluminense (RJ), desencadeou uma onda de denúncias. A família da jovem Taíssa da Silva Neres, de 20 anos, acusa a unidade de saúde pelo falecimento dela e de seu bebê recém-nascido. Após a repercussão do caso, uma investigação da TMC revelou que pelo menos outras 20 mulheres decidiram quebrar o silêncio e relataram abusos semelhantes sofridos no local.
Os relatos obtidos desenham um cenário de terror para as gestantes na Baixada. Entre os casos estão: a demora extrema para triagem de urgência, perdas gestacionais evitáveis, negativas sistemáticas para a realização de cesarianas (mesmo após dezenas de horas de trabalho de parto ativo) e ausência de médicos plantonistas nas alas de internação.
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De acordo com os prontuários médicos e o histórico reconstruído pela família, Taíssa deu entrada na maternidade estadual no dia 25 de junho, logo após a sua bolsa romper. A jovem permaneceu por mais de 11 horas sofrendo com contrações e dores agudas sem que uma intervenção cirúrgica fosse autorizada pela equipe do plantão.
O padrinho do bebê, Riston da Silva, revelou à TMC que quando Taíssa começou a dar a luz, ela ainda estava sozinha no quarto, sem o acompanhamento de nenhum médico. Após o parto, o bebê apresentou severas dificuldades respiratórias logo nas primeiras horas de vida e acabou falecendo no dia seguinte.
A tragédia familiar se completou pouco tempo depois. Taíssa recebeu alta médica, mas retornou ao pronto-socorro três dias depois queixando-se de dores abdominais e febre alta. Exames de imagem confirmaram que a equipe que realizou o parto deixou restos de placenta retidos no útero da jovem, provocando uma grave infecção.
Devido à gravidade do quadro clínico, a paciente precisou ser transferida às pressas para o Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti. Taíssa não resistiu às complicações da infecção generalizada e teve o óbito confirmado no último dia 10 de julho. A família contesta o laudo de fatalidade.
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro informou que o corpo de Taíssa foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para que um exame de necropsia detalhado aponte a causa da morte. A pasta garantiu que instaurou uma sindicância e uma apuração interna rigorosa para auditar toda a linha de assistência médica prestada à jovem nas duas unidades estaduais.
Em nota, o órgão alegou ainda que o recém-nascido recebeu suporte na UTI neonatal e faleceu “apesar de todas as medidas terapêuticas adotadas”. As direções dos hospitais envolvidos emitiram notas lamentando os óbitos e afirmando estar à disposição dos órgãos de controle e dos familiares para esclarecimentos.
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