Segurança

Funcionários do Twitter no Brasil perdem acesso ao sistema interno após aviso de possível demissão

aparelhos-eletronicos-com-o-bloco-de-notas-e-o-icone-do-twitter_23-2147841375
Foto: Freepik

DANIELA ARCANJO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Parte dos cerca de 150 funcionários do Twitter no Brasil está sem acesso ao sistema interno da companhia após receber um comunicado sobre possíveis demissões. A onda de desligamentos na empresa é global.

Segundo relatos, a plataforma cortou o acesso de praticamente todos os setores do escritório no país, com exceção da equipe de vendas, que teve membros poupados. Além disso, um comunicado foi enviado aos e-mails pessoais dos funcionários às 4h desta sexta (4).

“Conforme compartilhado mais cedo, o Twitter está reduzindo a sua força de trabalho para ajudar a melhorar a saúde da empresa. Essas decisões nunca são fáceis e é com pesar que escrevemos para informar que sua função no Twitter foi identificada como potencialmente impactada ou em risco”, dizia a mensagem.

A interpretação de alguns funcionários é que o aviso é uma demissão, embora a empresa peça para aguardar mais informações. O clima, segundo relatos, é de confusão. Não houve novos avisos até o começo da tarde desta sexta, mas alguns colaboradores já começaram a publicar mensagens em tom de despedida no Twitter.

Os relatos de colaboradores de todo o mundo estão reunidos sob a hashtag #OneTeam. Mesmo quem diz já ter a confirmação de que vai ficar na empresa critica as demissões, como Eli Schutze, do escritório do Reino Unido.

“Recebi o email… Eu ainda tenho um emprego. Mas fiquei acordada ontem à noite vendo pessoas trabalhadoras, talentosas e cuidadosas sendo desligadas, uma a uma, e não sei o que dizer”, escreveu.

No Brasil, a suspeita de que isso pudesse acontecer teve início há duas semanas, quando uma reportagem do Washington Post revelou a pretensão do bilionário Elon Musk de cortar 75% dos funcionários da empresa após comprá-la. O longo processo de aquisição foi concluído em 27 de outubro, um dia antes do prazo para fechar o acordo que começou em abril.

Outras notícias, mais recentes, indicavam que o novo proprietário cortaria 3.500 funcionários, o que corresponderia à metade da equipe. Segundo reportagem do Financial Times, ele pode também reverter a política de home office adotada após a pandemia e passar a exigir novamente o trabalho presencial no escritório a partir desta segunda-feira (7).

Musk, homem mais rico do mundo e fundador da Tesla e da SpaceX, adquiriu a rede social sob a promessa de transformá-la na “plataforma da liberdade de expressão em todo o mundo”. O bilionário é um crítico da atual moderação de conteúdo do Twitter.

Ao longo desta semana, ele anunciou outras mudanças, como o lançamento de uma assinatura mensal de US$ 8 para usuários que desejarem certificar a autenticidade de sua conta e receber menos anúncios publicitários. Atualmente, pessoas verificadas, como artistas e comunicadores, não precisam pagar para ter o selo azul.

No final da manhã, Musk publicou que o Twitter teve uma queda brusca na receita por causa da pressão de ativistas em anunciantes, embora nada ainda tenha mudado na moderação de conteúdo.

“Estão tentando destruir a liberdade de expressão nos Estados Unidos”, afirmou.

A rede social não se pronunciou oficialmente até o início da tarde desta sexta.

Por Folhapress.