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FEMINICÍDIO
Ex-companheiro teria usado Pix e a própria filha para manter contato com Glaucia Pinheiro Martins de Oliveira mesmo após medida protetiva
A morte de uma mulher de 33 anos e do ex-companheiro, de 45 anos, é investigada pela Polícia Civil como feminicídio seguido de suicídio em Jandaia do Sul, no Centro-Norte do Paraná.
Glaucia Pinheiro Martins de Oliveira foi encontrada morta dentro de casa na manhã desta terça-feira (1º), no Jardim Universitário. Cristiano Aparecido de Oliveira, apontado como autor do ataque, também morreu após atentar contra a própria vida.
Segundo a Polícia Militar (PM), a ocorrência foi registrada por volta das 5h, na Rua Benedito Goulart, após um chamado relacionado a violência doméstica. Quando os policiais chegaram ao endereço, encontraram Glaucia já sem vida.
Cristiano teria entrado na residência da ex-companheira e a atacado com uma faca. A filha do casal, de 14 anos, presenciou a situação e tentou intervir. Ela acabou atingida na mão e sofreu ferimentos superficiais. A investigação aponta que o crime ocorreu após semanas de conflitos relacionados ao fim do relacionamento.
De acordo com a delegada Kethilin Schwingel Iurino, da Polícia Civil do Paraná (PCPR), Glaucia Pinheiro Martins de Oliveira havia se separado recentemente de Cristiano e estava com a guarda dos dois filhos adolescentes, de 14 e 16 anos.
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No fim de junho, ela procurou a Justiça e pediu uma medida protetiva. Segundo a delegada, o pedido foi motivado pela dificuldade de manter o relacionamento e por episódios de violência psicológica e humilhações. Até então, não havia histórico registrado de agressões físicas ou ameaças.
Ainda conforme a investigação, no dia 27 de julho Glaucia comunicou às autoridades que Cristiano havia descumprido a determinação judicial.
Mesmo impedido de manter contato com a ex-companheira, ele teria encontrado maneiras de continuar se comunicando com ela. Uma delas era por meio de transferências via Pix de R$ 0,01. No campo destinado à descrição das operações, Cristiano escrevia mensagens sobre o relacionamento e dizia que Glaucia havia acabado com a vida dele.
Segundo a delegada, ele também usava as transferências para relembrar momentos vividos pelo casal e insistir no contato. Outra forma de comunicação era por meio da filha de 14 anos. Cristiano enviava áudios para a adolescente, pedindo que ela repassasse as mensagens à mãe.
“Ele usava para conversar com ela, descumprindo a decisão judicial. Também usava muito a filha, mandava áudios para ela repassar para a mãe. Aparentemente ele estava bem perturbado com o fim do relacionamento”, explicou Kethilin.
Depois do fim do relacionamento, Cristiano teria iniciado acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Segundo a delegada, ele estava morando com a irmã.
Na segunda-feira (31), o homem teria sido intimado sobre o descumprimento da medida protetiva e também sobre uma questão relacionada à pensão. Conforme a investigação, as determinações judiciais teriam contribuído para o estado emocional em que ele se encontrava.
Na manhã seguinte, a irmã percebeu que Cristiano não estava bem. Ela chegou a vê-lo escrevendo em um caderno e tentou convencê-lo a acompanhá-la, mas ele recusou. Pouco depois, a mulher retornou para chamar o marido. Nesse intervalo, segundo a polícia, Cristiano teria ido até a residência da ex-companheira.
Durante as diligências, os investigadores encontraram o caderno em que Cristiano havia escrito mensagens antes de ir até a casa de Glaucia.
No material, ele pediu desculpas aos pais e deixou recados relacionados aos filhos, inclusive orientações sobre questões financeiras. Também escreveu que considerava a ex-companheira responsável pelo fim do relacionamento e afirmou que não via outra solução para a situação.
Em um trecho, escreveu: “Mãe e pai, me perdoa, sei o que eu estou fazendo é errado. Mas a Justiça me fez um bandido […] Eu não errei sozinho. Não sou perfeito, mas não tem outra solução. Nunca pensei em fazer isso. Nunca vou encontrar outra pessoa certa por causa dessa medida protetiva. Eu fui manipulado pela Glaucia desde que casamos. […] Então nós dois vamos pagar pelo nosso erro […] Errei em casar com uma pessoa cheia de ódio, que me transformou no que sou hoje.”
A delegada afirmou que o conteúdo do caderno reforça a linha de investigação sobre o estado emocional de Cristiano antes do crime, mas as circunstâncias completas ainda precisam ser esclarecidas.
Após entrar na casa, Cristiano teria pegado uma faca que estava na própria residência e atacado Glaucia. A filha de 14 anos tentou impedir a agressão e acabou ferida na mão. Na sequência, Cristiano atentou contra a própria vida e morreu no local.
O caso é investigado como feminicídio seguido de suicídio. As autoridades também devem analisar os relatos sobre os descumprimentos da medida protetiva e as decisões judiciais recebidas por Cristiano antes das mortes.
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