Segurança
Homem que levou filha à creche após esfeaquear esposa é transferido para Curitiba
Francisco Jovino da Silva, preso por matar a facadas a esposa Juceli Cristina Pezenatto, decidiu não dar nenhum detalhe do crime durante seu depoimento à Polícia Civil nesta sexta-feira (17). O homem foi preso na quinta (16) pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegando em Irati, nos Campos Gerais, e teria confessado à equipe que matou a própria companheira usando uma faca de cozinha – a arma do crime estava no carro onde ele foi abordado.
O suspeito do crime foi preso pouco tempo depois da polícia encontrar o corpo de Juceli no sofá da casa da família. O caso foi descoberto a partir da denúncia da babá da filha de sete anos do casal, que percebeu manchas de sangue no tênis da criança.
De acordo com a delegada Vanessa Alice, que atua na investigação do caso, na noite de quarta-feira (15) o suspeito levou a filha até a creche com a esposa já ferida no banco traseiro – a mulher estava embaixo de um cobertor. Quando a babá percebeu que a criança tinha manchas de sangue, perguntou o que tinha acontecido e, segundo a delegada, a criança respondeu que “a mamãe está dodói e o papai levar ela no médico”.
Casal trabalhava na mesma empresa
Como os pais não foram buscar a criança e a menina dormiu na casa da babá, ela desconfiou e ligou para o supermercado onde ambos trabalhavam – ela fazia serviços internos, enquanto o marido trabalhava fora da sede. Os funcionários disseram que o casal não tinha ido trabalhar. Colegas de emprego falaram com Francisco e ele disse que estava numa situação complicada porque tinha brigado com Juceli e tinha saído de casa. Na segunda vez que tentaram entrar em contato com ele, o telefone já estava desligado.
Como ninguém conseguiu contato com Juceli, os colegas de trabalho foram até a Delegacia da Mulher para registrar um possível caso de violência doméstica, mas a babá procurou a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para fazer o boletim de ocorrência do desaparecimento de Juceli.
Equipes da Polícia Civil foram até a casa da família e, ao encontrar vestígios de sangue no local, decidiram entrar na casa. Eles encontraram o corpo da mulher no sofá da casa e descobriram que o marido tinha fugido. Como Francisco foi preso em flagrante, a polícia já solicitou que a prisão seja convertida em preventiva para que ele responda ao processo em regime fechado.
Comportamento possessivo
Durante a manhã desta sexta, enquanto Francisco era transferido de Irati para Curitiba, a delegada Vanessa Alice conversou com amigos, familiares e colegas de trabalho do casal. Nesses depoimentos, ficou evidente o comportamento ciumento possessivo do suspeito do crime.
“Ele não deixava a esposa conversar com ninguém, ela tentou fazer faculdade duas vezes e teve que trancar por determinação dele”, conta a delegada. A vítima não podia nem mesmo escolher a própria roupa. “Ele ditava o que ela podia usar ou não, esse não era um relacionamento fácil e os colegas de trabalho disseram que o casal estava em processo de separação”, completa.
Como Francisco não deu nenhuma versão no depoimento oficial, a Polícia Civil continua trabalhando para concluir o inquérito com o auxílio dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e da Polícia Científica para esclarecer como o crime foi cometido e qual a principal motivação para o assassinato.