Crime motivado por ganância

Homem que pregava em igrejas confessa que matou o pai com tiro na cabeça

Conhecido como “Flávio do Bolo”, o servidor e pregador evangélico confessou ter premeditado o assassinato do pai de 64 anos para roubar caminhonete

Flávio Loureço e João Lourenço, filho que matou o pai por querer roubar a caminhonete dele.
Em seu depoimento, Flávio Lourenço chorou e tentou justificar a morte do próprio pai como um deslize financeiro (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil prendeu Flávio Lourenço, conhecido na região metropolitana de Goiânia como “Flávio do Bolo”. Servidor administrativo da Polícia Civil, ele confessou ter assassinado o próprio pai, João Lourenço de Oliveira, de 64 anos, com um tiro na cabeça. O crime, considerado premeditado pelas autoridades, foi motivado pelo desejo do filho de roubar a caminhonete Toyota Hilux do pai.

O caso causou indignação em cidades como Bela Vista de Goiás, Goiânia e Trindade devido ao perfil público de Flávio. Nas redes sociais e em comunidades locais, ele ostentava uma rotina de devoção religiosa. Vídeos que circulam na internet mostram Flávio no altar, pregando para fiéis em igrejas evangélicas e produzindo conteúdos digitais voltados à fé cristã.

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Falso desaparecido

A farsa começou a desmoronar na última segunda-feira (15). O idoso, que também era servidor administrativo da Polícia Civil, estava desaparecido desde a manhã de sábado (13), quando saiu de casa dirigindo sua Hilux em Goiânia e não deu mais notícias. Preocupados, familiares iniciaram uma mobilização na internet. Durante a procura, parentes acharam o celular do idoso completamente destruído.

A Delegacia de Investigação de Homicídios entrou no caso e rapidamente identificou as contradições de Flávio. Pressionado pelas evidências, o pregador acabou confessando o assassinato do pai, o que levou os policiais até uma área de mata fechada entre Goiânia e Trindade, local onde teria escondido o cadáver do pai envolto em lençóis.

Ao todo, a operação policial prendeu Flávio e outras cinco pessoas (quatro homens e uma mulher) suspeitas de participarem do planejamento ou da ocultação do cadáver. Um dos envolvidos pagou fiança e responderá em liberdade.

“Momento de ganância”, diz assassino confesso

Em seu depoimento gravado à Polícia Civil, Flávio Lourenço chorou e tentou justificar a execução do próprio pai como um deslize financeiro.

“Foi um momento de loucura, um momento de ganância, sem pensar, porque tenho muito a perder. Eu tenho um casamento de 23 anos, nunca tinha sido preso, passado por uma situação dessa, nunca tive pegado uma arma… Eu tenho três filhos, todos eles dependem de mim”, relatou o pastor.

Contudo, para o delegado responsável pela investigação, João Paulo Mendes, o discurso de arrependimento não condiz com a frieza do plano. Ficou comprovado que Flávio comprou um revólver calibre .38 especificamente para emboscar e executar o pai com o objetivo de clonar ou vender o veículo de luxo.

O caso segue sob acompanhamento do Poder Judiciário de Goiás.


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