investigação

Médico residente que atirou dentro de hospital diz que tem transtorno mental

Testemunhas que presenciaram o ataque relataram o que aconteceu; ele teria assinado uma advertência no dia do crime

Gabriel Damasceno Camargo e imagens do dia que atirou dentro de hospital médico residente
O médico residente de 27 anos, identificado como Gabriel Damasceno Camargo, atirou dentro do consultório do Hospital Cemil, em Umuarama, no noroeste do Paraná (Foto: Reprodução/Rede Massa)

O médico residente de 27 anos, identificado como Gabriel Damasceno Camargo, atirou dentro do consultório do Hospital Cemil, em Umuarama, no noroeste do Paraná. Ele foi preso em flagrante momento depois, quando tentou roubar um carro e fugir. A Rede Massa foi até o local do crime e conversou com testemunhas; além disso, a reportagem teve acesso ao depoimento do médico, que alegou ter Transtorno Afetivo Bipolar (TAB).

Segundo testemunhas, o momento assustador foi rápido e inesperado. De acordo com a Polícia Militar (PM), o médico residente estava realizando um atendimento junto com um professor quando efetuou o disparo. O residente estava atrás do professor, que estava de costas, e apontou a arma para ele. No entanto, o tiro pegou de raspão da cabeça da paciente, que recebeu atendimento e não sofre riscos.

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Médico residente que atirou diz ter Transtorno Bipolar

Em depoimento à Polícia Civil, o médico residente que atirou não quis relatar o que aconteceu no momento. O delegado, na gravação, diz que ele pode contar a versão dele, mas o médico escolhe permanecer em silêncio.

Ainda no depoimento, ele relatou ter usado nicotina uma vez e afirmou sofrer de um transtorno psiquiátrico, chamado Transtorno Afetivo Bipolar (TAB). O transtorno é caracterizado por episódios de mania e hipomania. Geralmente, é tratado com medicamentos e acompanhamento psicoterapêutico.

Outro depoimento recolhido pela polícia foi o do médico e professor, possível alvo, identificado como Jorge Antônio Rigoni. Segundo ele, o disparo foi inesperado. Quando olhou para trás, viu o residente com a arma e se assustou, pediu calma e saiu da sala. Ele só notou que a paciente havia sido atingida depois. Além disso, ele negou qualquer atrito com o residente que atirou.

Testemunhas revelam momentos de terror quando médico residente atirou no hospital

Sem se identificar, uma testemunha e funcionária do Hospital Cemil relatou o que aconteceu no momento. Segundo ela, o tiro realmente “pegou de raspão” na paciente. Ela acredita que o residente não tinha intenção de matar.

“A arma disparou, pegou de raspão mesmo. Ele saiu correndo, desceu. Mas aqui no hospital todo mundo ficou bem nervoso, o medico ficou bem nervoso. O tiro foi bem de raspão mesmo, mas o consultório é pequeno. Creio que se ele quisesse ter matado alguém, ele tinha matado”, disse.

A testemunha também revelou à Rede Massa que o médico residente que atirou teria sido repreendido ainda naquele dia. Logo que chegou, ele foi à sala do Conselho Regional para assinar uma advertência que tinha levado.

“Ele vinha sendo repreendido. Tem um mês e meio que estava aqui. Ontem, quando chegou, ele passou na secretaria para assinar uma advertência. Aqui nos falaram que ele estava muito esquisito hoje, mas o que aconteceu, de fato, foi que ele deu um tiro”, contou.

O caso segue sob investigação. A defesa de Gabriel enviou uma nota ao Massa.com.br, veja na íntegra:

A defesa de Gabriel Damasceno Camargo vem esclarecer, a respeito dos fatos recentemente noticiados envolvendo suposta tentativa de homicídio, que não teve acesso integral aos autos do processo. Somente com a análise técnica, minuciosa e responsável de todos os elementos de provas já produzidos será possível um pronunciamento adequado. A defesa reafirma seu compromisso com o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito, destacando que qualquer conclusão antecipada se apresenta prematura, especialmente antes do esclarecimento completo dos fatos. Tão logo haja o conhecimento amplo do conteúdo processual, a defesa adotará todas as medidas cabíveis e poderá se manifestar de forma mais detalhada.Por fim, reforça-se que o caso deve ser tratado com a cautela necessária, preservando-se os direitos e garantias individuais de todas as partes envolvidas.

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