MISTÉRIO
PM levada morta ao hospital tinha marcas de chicotada; marido foi preso
INVESTIGAÇÃO
Integrante da Polícia Militar de Minas Gerais desde 2004, Michele deixa um filho de 10 anos
A investigação sobre a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão de Azevedo, de 41 anos, ganhou novos desdobramentos. Familiares afirmaram que a policial vivia um relacionamento conturbado com o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, preso por suspeita de feminicídio.
Em entrevista ao jornalismo do SBT, parentes disseram que nunca aprovaram a relação e acreditam que a morte da oficial poderia ter sido evitada.
A capitã foi levada sem vida ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20), pelo próprio marido. Ela foi sepultada na terça-feira (22). Integrante da PMMG desde 2004, Michele deixa um filho de 10 anos.
A apuração teve início após a médica responsável pelo atendimento identificar ferimentos considerados incompatíveis com um acidente e acionar a Polícia Militar.
Segundo o boletim de ocorrência, Michele Leão de Azevedo chegou ao hospital por volta das 21h35 já sem sinais vitais. A profissional de saúde informou que a capitã apresentava quadro compatível com uma parada cardiorrespiratória ocorrida entre quatro e seis horas antes da entrada na unidade.
Além do traumatismo craniano e de um corte profundo na testa, a vítima tinha diversas lesões pelo corpo, incluindo marcas compatíveis com chicotadas, conforme registrado pela polícia.
Em depoimento, Eduardo Abner Pereira de Oliveira afirmou que o casal participou de uma festa na residência no domingo (19), consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy e manteve uma relação sexual consensual com práticas de agressão física, que, segundo ele, costumavam ser gravadas.
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O sargento declarou que Michele caiu de uma escada durante a madrugada, sofreu um ferimento na cabeça e recusou atendimento médico para não revelar o consumo de drogas. Ainda segundo o relato, os dois dormiram e, horas depois, ele percebeu que a esposa não respondia aos estímulos, momento em que a levou ao hospital.
Durante a perícia no imóvel onde o casal morava, foi apreendido um pedaço de madeira semelhante a um cabo de vassoura quebrado, com manchas de sangue. Também foram recolhidas roupas de cama que estavam sendo lavadas na máquina.
Além da suspeita de feminicídio, Eduardo foi preso em flagrante por tráfico de drogas após ser flagrado descartando uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira do hospital, segundo a Polícia Militar. Após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
Antes de ingressar na Polícia Militar, ele chegou a ser impedido de assumir o cargo por ter sido apreendido, quando adolescente, com quatro armas de fogo, mas foi reintegrado posteriormente por decisão judicial. Já como policial militar, teve dois registros de violência doméstica envolvendo ex-namoradas, em 2014 e 2016, além de uma prisão por embriaguez ao volante em 2023.
A defesa do sargento informou, por meio do advogado Gustavo Nepomuceno, que aguarda a conclusão das investigações e dos laudos periciais. Em nota, afirmou confiar no devido processo legal e informou que pretende recorrer da decisão que manteve a prisão preventiva para que o policial responda ao processo em liberdade.
A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias da morte da capitã e trata o caso, até o momento, como suspeita de feminicídio.
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