Segurança
MP denuncia donas de asilo de Maringá por morte de idosos
O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia criminal pelo crime de tortura seguida de morte contra duas responsáveis por uma Instituição de Longa Permanência de Idosos (ILPI) da cidade. A denúncia foi apresentada nesta sexta-feira (20). O MPPR cita no processo duas vítimas que teriam morrido em decorrência de abusos praticados no asilo – um homem de 91 anos, morto após uma queda em que fraturou o fêmur, e outro, de 77 anos, vítima de um quadro infecioso grave, possivelmente relacionado a lesões na pele.
Na denúncia, são descritas diversas situações de violência física, verbal e psicológica que teriam sido praticadas contra os dois idosos. No caso do primeiro, de 91 anos, o MPPR sustenta que “na data de 5 de julho de 2021, o idoso […] havia sido dopado com medicamentos pelas denunciadas, sofrendo uma queda que resultou na fratura de seu fêmur e, posteriormente, sua morte. No hospital foi constatado que sua higiene pessoal era muito precária, sendo apurado de quadro de infecção urinária e sangue na urina.”
No outro caso, relacionado ao homem de 77 anos, é relatado por testemunhas que, por ter sido advogado, as donas da instituição diziam que ele estaria agora “pagando os pecados” por ter “ajudado muitos bandidos a saírem da cadeia”. Ainda conforme os autos, ele chegou ao asilo sem escaras pelo corpo, “o que demonstra que as referidas lesões derivaram de sua submissão, mediante violência, a intenso sofrimento físico e mental pelas denunciadas como forma de aplicação de castigo por ter sido advogado e por supostos males que cometeu em vida, causando-lhe sua morte por sepse, úlcera de pele e pneumonia secretiva”. Dentre as violências destacadas na denúncia, foi apontado o uso de água sanitária nas feridas de pele e mesmo socos e empurrões quando do banho da vítima.
Novos casos
A denúncia é resultado de investigação conduzida pelo MPPR e que levou à interdição da casa no início do mês. Uma das donas do asilo está presa preventivamente e a Promotoria destaca que as práticas imputadas na denúncia contra as duas mulheres são equiparáveis a crime hediondo.
O Ministério Público solicitou também a abertura de novo inquérito em relação a outros possíveis crimes cometidos contra outras pessoas que estavam acolhidas na ILPI até sua interdição – 12 idosos eram mantidos ali no dia da operação e todos foram encaminhados aos cuidados dos familiares.