Segurança

Mutirão gratuito orienta população trans sobre retificação de nome e gênero

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Foto: Hully Paiva/SMCS

A Defensoria Pública do Paraná, em parceria com a Prefeitura de Curitiba, promoveu, nesta segunda-feira (2), o Mutirão de Orientação para Retificação de Prenome e Gênero para a População Trans. O evento aconteceu na sede da Defensoria, localizada no Centro de Curitiba.

O objetivo é orientar e facilitar o acesso a um direito garantido por lei para a população.

O estudante de Enfermagem Gael Callaghan Teixeira Nunes foi uma das primeiras pessoas atendidas. “Hoje é o melhor dia da minha vida. Eu tô leve”, disse Gael, de 19 anos, que fez questão de documentar cada passo do atendimento no mutirão. “É uma luta que vem desde os 11 anos e que vai terminar em poucos dias”, disse, referindo-se à expectativa de tornar oficial o nome e o gênero pelos quais já se identifica.

O mutirão foi organizado para que travestis, transexuais e pessoas não binárias, que não se identificam como masculino ou feminino, recebam informações e apoio para dar entrada no processo para retificação de prenome e gênero. O procedimento é grátis.

Com a senha de atendimento em mãos, a estudante de desenvolvimento e programação de sistemas Leona Christen Macedo dos Santos, de 24 anos, estava ansiosa para saber que providências tomar para ver o prenome como se reconhece estampado na documentação. Mãe de dois filhos, ela conta com o apoio da mãe e da companheira. “Em outubro, já vou votar como Leona”, comemorava.

Momento especial

O assessoramento à população trans representa muito também para quem já tem o nome e o gênero corrigidos na documentação. “É um momento muito emocionante e prazeroso porque significa o pertencimento da nossa população à sociedade e põe fim ao constrangimento, para nós e para a sociedade, de termos de lidar com a diferença entre quem somos socialmente e como os documentos nos apresentam oficialmente”, diz a ouvidora da Defensoria Pública, Karollyne Nascimento, de 47 anos.

Mulher transgênero, Karollyne só obteve o reconhecimento em 2018, depois de ver seu pedido judicial negado pelo Ministério Público cerca de 5 anos antes. “E esse foi só um tipo de violência e discriminação que sofri, e que sofrem tantas, outras todos os dias, desde que comecei a me construir como pessoa”,  contou.

No novo CPF, título de eleitor e na carteira de identidade, desaparecem o antigo prenome e o gênero das pessoas trans como foram originalmente registrados, dando lugar às informações com que elas se identificam.

Com informações da Prefeitura de Curitiba