Segurança
Operação contra o ‘Tribunal do Crime’ prende 7 pessoas da mesma família
A Polícia de São Paulo prendeu, nesta quinta-feira (06), sete pessoas da mesma família em uma operação contra o chamado “Tribunal do Crime” da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os suspeitos são 3 homens e 4 mulheres, todos irmãos. Todos são investigados pelo sumiço de 2 homens, em março deste ano, na capital paulista. Câmeras de segurança registraram a ação do grupo.
No vídeo é possível ver os suspeitos discutindo com um homem que, segundo os investigadores, teria violentado uma menina da família. Ele é arrastado até um carro branco e sequestrado.
O padrasto da criança teria testemunhado o crime e não tomou nenhuma atitude. Nas imagens, ele aparece sendo levado à força até um carro prata. Os dois teriam sido entregues ao Tribunal do PCC.
O corpo do padrasto, Adam William Franzini, foi encontrado. Já o suposto abusador, Rogério Bispo da Silva, está desaparecido. Segundo o Departamento de Homicídios, a suposta violência contra a criança não foi comprovada.
A defesa dos suspeitos afirma que os dois homens foram deixados, vivos, em uma praça. “Toda a família vai até a pessoa acusada de ter cometido o crime e pede satisfação. E aí começa uma situação generalizada, e eles arrebatam essa pessoa, e levam para outro lugar. O que acontece após esse fato, ninguém sabe”, alega a advogada Ana Carolina Badaró.
O “Tribunal do Crime” do PCC é hoje um dos maiores problemas do Departamento de Homicídios paulista. Em uma outra investigação, os policiais apreenderam a mais recente versão do “código de disciplina” da facção. São 45 itens e, em muitos casos, a pena é de morte.
“Ato de talarico”, é o de mexer com a mulher dos outros. A “malandragem”, chamada de “malandrismo”, “esperteza”, “abandono de responsabilidade”, “caguetagem” e “chantagem” são alguns dos crimes previstos na lei dos bandidos.
O que chama atenção é que a palavra final sobre cada pena cabe sempre ao “Sintonia”, que é o criminoso responsável pela região onde aconteceu o fato. A decisão de viver ou morrer na mão de quem mata todos os dias, em nome do crime.
“Eles buscam uma legitimidade que eles não têm. Nós não podemos tolerar. Nós já constatamos, aqui no departamento, nas nossas investigações, injustiças. Casos que não ocorreram, de pessoas inocentes que foram julgadas por esse pseudo Tribunal do Crime, e que foram executadas, inocentemente”, conclui a delegada e diretora do DHPP, Elisabete Sato.
Informações SBT News