Segurança
Paraná busca fomentar abastecimento com gás natural em veículos pesados
Um combustível mais limpo que proporciona consumo e desempenho de motor similar ao do diesel. Assim é o gás natural, cujo abastecimento voltado a veículos pesados a Companhia Paranaense de Gás (Compagas) busca fomentar por meio do projeto Corredor Azul, que tem como objetivo implementar rotas estratégicas e infraestrutura de abastecimento concentrado no transporte de cargas.
Por meio da iniciativa, a Companhia quer ampliar o número de postos no Estado que ofertam essa modalidade de combustível para caminhões, bem como o número de veículos pesados que utilizam o gás e ainda contribuir para a redução de emissões de poluentes.
“Entendemos que há uma janela de oportunidade para ampliar a participação do gás natural na matriz de transportes no País e destacá-lo como essencial para a transição energética dentro do contexto de mudanças climáticas”, diz Rafael Lamastra Junior, diretor-presidente da Compagas e presidente do Conselho de Administração da Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado).
“Na medida que é um insumo menos poluente que outros de origem fóssil e está presente em nosso dia a dia como uma fonte viável para todos os segmentos de mercado, ainda contribui para o desenvolvimento de novas tecnologias e a aplicação do combustível em maior escala”, acrescenta.
O nome Corredor Azul surgiu de um projeto desenvolvido na Europa que estruturou rotas e infraestrutura de abastecimento de gás natural focado no transporte de cargas e permitiu a cobertura das principais rotas de escoamento de cargas dos países que integram o continente, bem como a diversificação energética nesse segmento.
No Brasil, o projeto nasceu no Paraná, por iniciativa da Compagas, e hoje é uma realidade em diversos estados. O objetivo comum é o de interligar rotas de transporte para que os caminhões possam rodar pelas principais rodovias do país utilizando o gás natural e o biometano (combustível comparável em condições técnicas ao gás natural, já que após o refino atinge alta concentração de metano em sua composição).
Em Curitiba, um posto localizado na Cidade Industrial já abastece diariamente caminhões movidos 100% a gás natural que percorrem a rota São Paulo – Curitiba para o transporte de mercadorias ligadas ao e-commerce. Cada caminhão tem a capacidade de abastecimento de 230 m³ de gás natural e este volume garante uma autonomia de mais de 400 quilômetros para o veículo – ou seja, ele consegue rodar da capital paranaense até o retorno à cidade paulista com o volume abastecido.
Caminhões
Veículos pesados movidos a gás natural já são uma realidade no Brasil. Diretor da Scania, Paulo Genezini conta que a marca, embasada pelos pilares da eficiência energética, transporte inteligente e seguro e uso de combustíveis alternativos, está comercializando caminhões com motores a gás, ou seja, que já foram produzidos dessa forma – e não adaptados.
“Como a eletrificação total vai demorar para chegar aos transportes pesados, dos pontos de vista econômico e ambiental a solução a gás é a principal hoje, pois consegue o mesmo desempenho de um motor a diesel em termos de torque, e ainda contribui para a redução de poluentes na natureza”, afirma Genezini.
Um dos principais limitadores para o avanço da solução, na opinião do diretor da Scania, é a infraestrutura. Nos grandes centros, ele considera o abastecimento razoável, mas diz que no interior a escassez ainda é grande. Daí a importância de iniciativas como o Corredor Azul.
Para os proprietários de veículos pesados que desejam aproveitar os motores a diesel, também existem sistemas de conversão disponíveis que usam a tecnologia diesel-gás, permitindo a queima de uma mistura dos dois combustíveis – neste formato não é possível rodar somente com gás. As empresas convertedoras garantem a mesma potência e a menor emissão de poluentes em comparação ao motor original, o que reduz as despesas de consumo e operação do veículo e, ao mesmo tempo, mantém a vida útil e a performance do motor original.