"Foi uma fatalidade"

Homens presos por jogar jovem da Ponte do Esqueleto não têm explicação para “fatalidade”

Justiça de SP mantém prisão preventiva de bombeiro civil, operador turístico e empresário por homicídio após jovem ser jogada em queda livre de 40 metros sem corda da Ponte do Esqueleto

Do lado os homens presos e responsáveis pela morte de Maria Eduarda, e do lado direito ela sendo jogada da ponte.
A Polícia Civil identificou os três homens presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, durante um rope jump realizado na Ponte do Esqueleto (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Novos desdobramentos sobre a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, trazem à tona os perfis dos responsáveis pela atividade. Um dos três instrutores presos em flagrante pelo crime classificou o trágico episódio como uma “fatalidade”. Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, prestou um depoimento à delegada Andrea Dantas Levy, em Limeira, interior de São Paulo, sobre acusação de homicídio com dolo eventual.

No vídeo do interrogatório, Egoroff afirmou que não compreende o que causou o acidente fatal na desativada Ponte do Esqueleto no último sábado (13).

“Então, a gente está nessa prática há um tempo e, tipo, hoje, foi uma fatalidade. A gente não consegue entender o que aconteceu”, defendeu-se o instrutor.

Ele alega ainda que desceu de rapel imediatamente após o impacto para tentar prestar socorro à vítima, que morreu antes da chegada das equipes de emergência devido a múltiplos traumas decorrentes do forte impacto.

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Quem são os três homens que continuam presos?

A Polícia Civil identificou o perfil dos três investigados que aparecem nas imagens registradas no momento do salto. Eles foram apontados como os responsáveis diretos pela condução, amarração e pelo lançamento de Maria Eduarda da plataforma para o abismo de cerca de 40 metros. São eles:

  • Luis Felipe Feliciano Egoroff (32 anos): Possui registro profissional e atua como bombeiro civil, o que gerou ainda mais questionamentos sobre a falta de primeiros socorros e protocolos técnicos.
  • Maicon Fernandes Cintra (42 anos): Atua no mercado corporativo como administrador de uma empresa ligada à área de pós-produção cinematográfica.
  • Vitor de Freitas Gonçalves (27 anos): Natural de Bento Gonçalves (RS), trabalha no setor de viagens como operador turístico.

Inicialmente, seis pessoas foram detidas e levadas à delegacia pela Polícia Militar. Contudo, a polícia manteve a prisão apenas do trio que operava diretamente a linha de salto no momento da queda.

Imagens revelam erro inacreditável e sumiço de prova

O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação dos vídeos gravados por testemunhas na plataforma. As imagens anexadas ao inquérito policial, indicam uma falha no procedimento básico de segurança: a corda principal de sustentação permaneceu caída no chão da plataforma e não foi conectada à jovem. Pessoas que estavam no local relataram aos investigadores que não houve a checagem de mosquetões e amarras que costumava ser realizada antes de cada salto.

O juiz Paulo Henrique Stahlberg Natal, ao converter as prisões em flagrante em preventivas na audiência de custódia, destacou que os três atuavam em conjunto em um local de alto risco “sem observância dos protocolos elementares de segurança”. Para o juiz, as filmagens mostram que a vítima claramente foi lançada “sem qualquer proteção”.

Além da negligência, a Polícia Civil abriu uma nova linha de investigação para apurar o desaparecimento misterioso de uma câmera de ação, que era utilizada por Maria Eduarda e presa ao seu corpo para registrar o salto. O equipamento sumiu do local logo após a queda.

Prefeitura e União decidem interditar a “Ponte do Esqueleto”

Em uma reunião de emergência realizada nesta segunda-feira (15), a Prefeitura de Limeira, a Câmara Municipal, representantes da União e a Advocacia-Geral da União (AGU) definiram um plano de ação para proibir permanentemente o acesso à estrutura da Ponte do Esqueleto, que fica no limite com o município de Cordeirópolis.


Desativada há mais de 30 anos, a ponte inacabada fazia parte de um trecho ferroviário da antiga Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) que nunca foi implementado. Atualmente, a estrutura fica cercada por propriedades rurais particulares e o processo de incorporação definitivo pela União foi autorizado recentemente. As investigações confirmaram que o evento de rope jump não possuía nenhum tipo de alvará, licença municipal ou autorização dos órgãos federais para ocorrer.


Para evitar novas invasões de turistas e agências clandestinas, o comitê de crise determinou quatro medidas imediatas:

  • Instalação de barreiras físicas de concreto nas cabeceiras da ponte;
  • Reabertura de valetas de contenção no solo para impedir a passagem e o estacionamento de carros e vans;
  • Reforço na sinalização indicando área federal, perigo de morte e proibição de entrada;
  • Acionamento Polícia Federal (PF) para abrir uma investigação paralela sobre a realização de eventos comerciais e turísticos irregulares em território da União.

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