fim da amizade

MPPR conclui que amiga de jovem resgatado no Pico Paraná omitiu socorro

A jovem Thayane Smith deve pagar três salários-mínimos a vítima.

Pico Paraná MPPR (1)
Reprodução

O Ministério Público do Paraná (MPPR) concluiu que houve omissão de socorro no caso de Roberto Farias Tomaz. O jovem, conhecido como Betinho, ficou cinco dias desaparecido no Pico Paraná no início de janeiro, após a amiga que o acompanhava, Thayane Smith, seguir a trilha sozinha.

Segundo o órgão, o entendimento da 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul diverge da conclusão da Polícia Civil, que havia decidido pelo arquivamento da investigação.

Ministério público acusa jovem por omissão

De acordo com o promotor Elder Teodorovicz, a amiga que acompanhava a vítima teria cometido o crime de omissão de socorro ao deixá-lo para trás durante a trilha de retorno, no dia 1º de janeiro.

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Isso porque a jovem tinha plena consciência da condições físicas do rapaz, que já havia vomitado e caminhava com dificuldade, além das condições perigosas do Pico Paraná, a maior montanha do Sul do país.

A investigação do MP aponta que, mesmo alertada por outros montanhistas sobre os riscos, a jovem não demonstrou interesse em auxiliar nas buscas, priorizando o próprio bem-estar.

Jovem pode indenizar a vítima e os bombeiros

Como o crime de omissão de socorro prevê pena máxima de seis meses de detenção, o MPPR sugeriu uma transação penal para encerrar o processo. As condições propostas incluem:

  • Indenização à vítima: pagamento de três salários-mínimos (R$ 4.863,00) por danos morais e materiais.
  • Reparação ao Estado: pagamento de R$ 8.105,00 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, pelo custo operacional das buscas.
  • Serviço comunitário: prestação de serviços junto aos Bombeiros por três meses (5 horas semanais).

A Promotoria justifica que os valores serão destinados as tarefas em razão da grande mobilização de forças oficiais, agentes civis e voluntários que trabalharam durante os cinco dias de desaparecimento.

Diante das novidades do caso, a reportagem entrou em contato com a defesa de Thayane Smith. Uma das advogadas que representava a jovem afirmou que deixou o caso, a outra afirma que aguarda ter acesso aos autos do processo, que corre sob sigilo.

Família só queria o jovem de volta

Segundo Leonardo Mestre Negri, advogado de defesa de Roberto Farias Tomaz, a prioridade da família sempre foi a volta do jovem com vida. Confira a nota oficial abaixo:

“O Ministério Público entendeu que há indícios suficientes de prática de omissão de socorro, razão pela qual o inquérito não foi arquivado e foi remetido ao Juizado Especial Criminal para regular apuração da conduta.

Para a família, o objetivo sempre foi a preservação da vida do Roberto, o que felizmente se confirmou, e, neste momento, o encaminhamento adequado é permitir que a Justiça conduza o caso dentro dos parâmetros legais, sem antecipação de juízos de valor ou condenações no âmbito das redes sociais.”

Relembre o caso

Roberto Farias, o Betinho, desapareceu após subir a montanha para ver o nascer do sol na virada do ano. Ele foi localizado cinco dias depois, com sinais de desidratação, em uma operação que mobilizou helicópteros e equipes especializadas.

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