Caso sob investigação

PMs são acusados de matar adolescente ao jogá-lo de ponte

Kaylan Ladário teria sido arremessado de uma altura de 14 metros após ser liberado de delegacia

Kaylan Ladário, de 17 anos, foi arremessado de uma altura de 14 metros após ser liberado de delegacia; imagens de câmeras de segurança desmentiram versão inicial de fuga.
Kaylan Ladário dos Santos foi encontrado morto no dia 18 de fevereiro de 2025, em Cariacica (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)

A Justiça acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e tornou réus três policiais militares acusados de matar o adolescente Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos. O jovem teria sido arremessado ainda vivo da Segunda Ponte, ligação entre os municípios de Vitória e Cariacica, caindo de uma altura de aproximadamente 14 metros na Baía de Vitória.

Como não sabia nadar, o jovem morreu por afogamento. Os policiais denunciados são o cabo Franklin Castão Pereira e os soldados Luan Eduardo Pompermaier Silva e Leonardo Gonçalves Machado. Todos respondem por homicídio qualificado, com agravamento de abuso de poder e violação de dever inerente ao cargo.

Da delegacia ao desaparecimento

A abordagem contra Kaylan ocorreu no dia 18 de fevereiro de 2025, no bairro Aparecida, em Cariacica. O jovem foi detido com base em um mandado referente a um processo antigo e conduzido pela equipe policial à Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle), no Centro de Vitória.

No local, os agentes foram informados pela equipe plantonista de que a ordem judicial estava vencida e que o menor não poderia ficar retido. A determinação repassada aos PMs foi a de reconduzir Kaylan até a residência da família.

Foi durante esse retorno que o adolescente desapareceu. Inicialmente, os PMs registraram que o jovem teria escapado da viatura em movimento.

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Imagens de segurança desmentiram versão dos agentes

A versão de fuga perdeu sustentação após a análise de imagens de monitoramento instaladas ao longo do percurso.

As gravações flagraram a viatura da PM estacionada sobre a Segunda Ponte. Na sequência das imagens, é possível ver um volume sendo lançado nas águas da Baía de Vitória, seguido de movimentações na superfície. Os PMs deixam o local logo após o arremesso, sem prestar nenhum tipo de socorro ao adolescente ou acionar o Corpo de Bombeiros.

Para os promotores do MPES, as gravações aliadas aos laudos periciais e depoimentos comprovam que o corpo atirado era de Kaylan, que permaneceu agonizando na água por alguns minutos antes de submergir. O corpo do jovem foi encontrado no dia 19 de fevereiro, na orla de Cariacica.

Prisão preventiva e andamento do processo

Os três policiais militares envolvidos cumprem prisão preventiva no presídio militar situado no Quartel do Comando-Geral da PM, em Vitória.

Com a aceitação formal da denúncia e a derrubada do segredo de Justiça, o processo entrou na fase de instrução criminal, momento em que serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório dos réus. Ao fim deste ciclo, a Justiça decidirá se os três militares serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

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