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Investigação concluída
Investigação concluiu que aeronave não tinha condições de decolar devido a falhas mecânicas; documento destaca “cultura de normalização de desvios” na Voepass
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), apresentou nesta quinta-feira (23) o relatório final de investigação sobre a queda da aeronave ATR 72-500 operada pela Voepass. O acidente, ocorrido em agosto de 2024 na cidade de Vinhedo (SP), deixou 62 mortos, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.
As conclusões apontam para uma sucessão de falhas operacionais, negligências na rotina de manutenção da companhia e limitações no controle da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) criaram o cenário para o desastre.
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A aeronave apresentava 10 itens com avarias técnicas antes do voo, incluindo defeito no sistema do limpador de para-brisa, que pelas normas, proibia a decolagem em horários ou rotas com previsão de chuva.
A investigação também revelou que, em voos anteriores ao acidente, o sistema de degelo das asas apresentou falhas críticas. No entanto, as tripulações não registraram os incidentes no Diário de Bordo, impedindo a atuação das equipes de mecânica.
Durante o voo que partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), a aeronave emitiu múltiplos alertas sonoros e visuais sobre congelamento. A gravação da caixa-preta revelou que a dupla de pilotos mantinha conversas sobre assuntos pessoais e não executou os procedimentos operacionais exigidos, como a ativação contínua do sistema antigelo e o ajuste de velocidade.
O relatório do Cenipa sobre o acidente da Voepass diagnosticou uma “cultura de normalização de desvios” dentro da empresa, caracterizada pela troca informal de peças entre aviões e manutenção feita sem a devida supervisão técnica. Embora auditorias anteriores da Anac tenham identificado inconsistências na manutenção da Voepass, o órgão não adotou medidas restritivas a tempo de mitigar os riscos operacionais.
Em nota oficial, a Voepass afirmou que sempre atuou pautada por rígidos padrões de segurança e que sua tripulação possuía alta qualificação, reiterando que segue colaborando de forma transparente com os órgãos de investigação. A Anac informou que analisará as recomendações do relatório técnico no prazo de até 120 dias.
Veja a nota da Voepass na íntegra:
“A queda do voo 2283, em 9 de agosto de 2024, foi o episódio mais difícil da história da VOEPASS. Desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em sua memória.
Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação.
A atuação da empresa sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais, contando inclusive com a certificação IOSA desde 2012, um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas IATA.
A tripulação do voo 2283 era experiente, capacitada e devidamente certificada, acumulando mais de 5.000 horas de voo e com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação.
Desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário.”
No campo criminal, a Polícia Federal deve concluir o inquérito paralelo no próximo mês. O laudo da perícia criminal e o relatório técnico do Cenipa serão encaminhados ao Ministério Público Federal para avaliar eventuais responsabilizações jurídicas.
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