Segurança
Santa Casa utiliza sistema eficaz e barato que reduz em até 65% a fila por leitos de UTI
A luta pela vida continua e precisa se adaptar. No Hospital Santa Casa de Curitiba, a maioria dos pacientes com covid-19 necessitam de oxigenoterapia. Todavia, com o agravamento da doença, a pessoa (mesmo estando recebendo o máximo de oxigênio possível via cateter), muitas vezes segue com dificuldade de respirar. Quando isso acontece, geralmente, o paciente passa para uma fase mais crítica e entra na fila por um leito de UTI e intubação.
É na ocasião que o uso de recursos de Ventilação Não Invasiva faz a diferença. O exemplo que mais trouxe resultados é um capacete inflável que pode ser conectado diretamente na saída do gás aumentando em até três vezes a quantidade de oxigênio ofertado. O objetivo é evitar a piora clínica e manter o indivíduo em enfermaria, lúcido e apto a realização de terapias auxiliares, como a fisioterapia.
Reduzir a necessidade de ventilação invasiva (intubação) é fundamental. Não é só questão de maior conforto ao enfermo, mas garantir vagas em UTI apenas para casos graves.
Com o uso do capacete o paciente segue conseguindo falar, ingerir líquidos, realizar movimentos controlados e até conversar com familiares por meio de celulares. A ferramenta também impacta os custos de internação, pois diminui o tempo global de estadia, além de consumir menos medicamentos, como sedativos e bloqueadores neuromusculares, que compões o kit intubação.
O capacete envolve a cabeça, garantindo uma melhor oferta de ar em pressão positiva e se tornando mais confortável do que outras interfaces que acabam apertando a região e gerando desconforto, como as máscaras de mergulho adaptadas.
A enfermeira da Unidade de Tratamento Especializado Covid-19 da Santa Casa, Lorena Denipoti, explica que os enfermos se sentem mais confortáveis e seguros com o equipamento. “O paciente que interna tem o temor de precisar ser intubado”, explica ela. “Com o uso de outros dispositivos como o Helmet (capacete inflável), conseguimos proporcionar maior segurança, diminuindo a ansiedade e deixando-o mais confortável”.
Um capacete custa em média R$ 650 e pode ser usado pelo período que o enfermo precisar. Muito mais barato que a internação em UTI, que pode de ser até R$ 3 mil por dia, com permanência média de 15 dias.
“Esta é uma medida extremamente simples e inteligente. Ela não só traz benefícios imensos ao paciente, como impacta diretamente nas finanças do hospital. Hoje o maior sobrecusto que temos é a inflação do kit intubação. Conta o gerente de relações institucionais da Santa Casa, Marco Sanfelice. “Para nós, a sustentabilidade econômica é fundamental, afinal é o hospital filantrópico que mais tem leitos de COVID para o SUS, são 170 leitos”.
O hospital espera que com maior quantidade de capacetes, o número de intubações diminua, assim como o tempo de permanência, liberando leitos mais rápido e permitindo que mais pacientes sejam atendidos.
Material e funcionamento
O equipamento funciona como um capacete inflável. Além disso, a forma anatômica e confortável evita a sensação de claustrofobia. Ele é feito em PVC não-tóxico e possui uma membrana de vedação do pescoço em látex, que promove conforto e se adequa aos diferentes biótipos. Sua estrutura possui duas válvulas para conexões dos fluxos inspiratório/expiratório. O equipamento é usado individualmente e descartado quando o paciente recebe alta.
A enfermeira Lorena ainda explica que durante o mês de maio foram contabilizados os que utilizaram esse sistema de ventilação não-invasiva. Dos 26 que fizeram uso do capacete, 17 não precisaram ser transferidos para a UTI. “Houve uma melhora significativa no quadro desses pacientes depois de usar o equipamento, o que contribui para reduzir a necessidade de uso de leitos”, explica.
Compra de mais equipamentos
A população pode fazer doações e ajudar na compra de mais equipamentos. As doações podem ser feitas via PIX: [email protected], pelo site ou pelo número (41) 3320 – 3820.
Informações da assessoria