Segurança

Sem explicar como, Bolsonaro diz que votos serão contado este ano

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar o Poder Judiciário, nesta 4ª feira (30.mar), durante uma viagem ao nordeste. Sem explicar como, Bolsonaro disse que os votos das eleições de outubro serão contados.

O presidente participou de uma motociata, pelas ruas de Natal e depois de uma cavalgada, na chegada ao município de Parnamirim, a 12 km da capital potiguar. Acompanhado de ministros do governo, Bolsonaro fez a entrega do primeiro trecho de ampliação da Linha Branca do trem urbano.

Foi em discurso na ocasião que o presidente disse que os votos da eleição deste ano serão contados. E não apenas por duas ou três pessoas. Nas palavras do chefe do Executivo, “podem ter certeza que por ocasião das eleições, os votos serão contados no Brasil”. Depois, acrescentou: “nós defenderemos a democracia, nós defendemos a liberdade, e tudo nós faremos até com o sacrifício da própria vida”.

Bolsonaro esteve também no Piauí, acompanhado do ministro das Comunicações, Fábio Faria, para anunciar a chegada do sinal de internet 5G em uma fazenda no município de Baixa Grande do Ribeiro. No discurso, voltou a falar em contagem de votos. “A alma da democracia é o voto, e a contagem dele faz parte dessa alma”, afirmou.

A Câmara dos Deputados rejeitou, em agosto do ano passado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso. Diante da discussão do assunto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou uma comissão de transparência, com a participação das Forças Armadas. E anunciou que o número de urnas que serão auditadas, este ano, será triplicado. Mas a impressão do voto não será adotada.

Enquanto o presidente voltou a fazer críticas ao Judiciário, a ministra Rosa Weber negou pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para arquivar o inquérito que investiga se Bolsonaro cometeu crime de prevaricação no caso da negociação da vacina Covaxin. A denúncia veio à tona no início do ano passado, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia.

Rosa Weber rebateu os argumentos do procurador Augusto Aras e afirmou que o presidente da República tem função disciplinar para punir integrantes da administração. A investigação foi aberta depois que o deputado Luis Miranda (Republicanos-DF) afirmou ter alertado o presidente sobre suspeitas na compra de 20 milhões de doses da vacina produzida pela empresa indiana Bharat Biotech. A lei obriga qualquer servidor público a informar órgãos de fiscalização em caso de tentativa de desviar recursos ou cometer irregularidades.

E a Polícia Federal (PF) concluiu que Bolsonaro não cometeu crime de interferência na instituição, por meio de nomeações e mudanças de cargos. Em relatório enviado ao Supremo, a PF aponta que também não houve crime por parte do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, que fez as acusações ao deixar o cargo, há dois anos.

Informações SBT News