MOBILIDADE URBANA

BRT completa 52 anos e mostra que inovação também é saber evoluir

Criado em Curitiba na década de 1970, o sistema que revolucionou o transporte coletivo segue evoluindo para acompanhar as novas demandas da cidade e dos passageiros.

BRT completa 52 anos em 2026 e segue atual

Há 52 anos, Curitiba colocava em prática uma ideia que ajudaria a transformar a mobilidade urbana em diferentes partes do mundo: dar prioridade ao transporte coletivo.

Em 22 de setembro de 1974, entrava em operação o sistema que mais tarde ficaria mundialmente conhecido como BRT (Bus Rapid Transit). Implantado durante a gestão do então prefeito Jaime Lerner, o primeiro eixo Norte/Sul tinha 20 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus.

A proposta era inovadora: em vez de deixar o transporte coletivo disputar espaço com os automóveis, a cidade reservou parte de sua estrutura viária para garantir maior capacidade, velocidade e regularidade aos ônibus.

O modelo ganhou o mundo. Cerca de 200 cidades adotaram soluções inspiradas na experiência curitibana, que se tornou símbolo da integração entre transporte coletivo e planejamento urbano.

Mais de cinco décadas depois, o BRT continua tendo papel central na mobilidade de Curitiba. A cidade conta atualmente com mais de 80 quilômetros de canaletas exclusivas, que concentram 65% dos passageiros do transporte coletivo.

“O BRT, criado em Curitiba na década de 1970, permanece como uma solução inteligente para os desafios de deslocamento nas cidades, tamanha a transformação que representa. Seu sucesso reflete políticas de prioridade ao transporte coletivo e a constante evolução desse modelo pioneiro”, afirma Angelo Gulin, presidente do Curitibus, coletivo das empresas de ônibus de Curitiba.

Um sistema em constante evolução

Ao longo dessas cinco décadas, o BRT acompanhou as transformações da cidade. Vieram os ônibus articulados e biarticulados, as estações-tubo, o pagamento antecipado da tarifa, o embarque em nível e novas tecnologias aplicadas à operação.

Para as empresas operadoras, que participam diariamente dessa trajetória, o desafio é contribuir para que o sistema continue acompanhando as novas demandas da cidade e dos passageiros, combinando a experiência acumulada ao longo de décadas com inovação e eficiência.

Aos 52 anos, o BRT mostra que sua longevidade está justamente na capacidade de evoluir. Tecnologias, veículos e necessidades mudam, mas permanece atual o princípio que deu origem ao modelo em Curitiba: priorizar o transporte coletivo para movimentar mais pessoas de forma eficiente e sustentável.