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Brasil pode ser o país mais afetado pelo ‘Super El Niño’ na América Latina

A previsão do estudo é de mais de 13 mil morte por calor extremo no país; no mundo, a previsão é de mais de 450 mil

O Brasil pode ser o país mais afetado pelo chamado “Super El Niño” na América Latina.
O Brasil pode ser o país mais afetado pelo chamado “Super El Niño” na América Latina. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O Brasil pode ser o país mais afetado pelo chamado “Super El Niño” na América Latina. Uma projeção do Laboratório de Impacto Climático (Climate Impact Lab), divulgada nesta quarta-feira (23), estima que o calor extremo provocar 13,3 mil mortes no país até fevereiro de 2027.

As regiões Norte e Nordeste aparecem como as mais vulneráveis no Brasil. Entre os estados, o Pará concentra a maior estimativa, com aproximadamente 2,3 mil mortes, Maranhão, com 1,3 mil. Amazonas e Bahia aparecem na sequência, com cerca de 1,2 mil cada.

O período que exige maior atenção ainda está por vir: segundo a projeção, o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, deve ser o momento mais crítico para o Brasil.

Brasil se destaca nas projeções para as Américas

A estimativa coloca o Brasil entre os cinco países com maior número de mortes adicionais associadas ao calor provocado pelo El Niño no mundo.

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Nas Américas, a projeção brasileira supera com folga as apresentadas para outros países citados no levantamento. Os Estados Unidos aparecem com estimativa de 3,5 mil mortes adicionais, enquanto a Venezuela tem projeção de 2,3 mil e a Colômbia, de 2,2 mil.

Em escala global, Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria aparecem à frente do Brasil nas estimativas apresentadas pelo estudo.

Por que o El Niño pode provocar tantas mortes?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta.

No cenário analisado pelos pesquisadores, os dias de calor extremo podem quase dobrar até fevereiro de 2027, com temperaturas pelo menos 1,2°C acima do normal em relação a anos anteriores.

No Brasil, os efeitos podem se intensificar justamente durante o verão, período em que as temperaturas naturalmente já são mais elevadas. O calor extremo representa risco especialmente para grupos mais vulneráveis e também pode pressionar os sistemas de saúde.

Por isso, os números apresentados não significam que necessariamente 13,3 mil pessoas morrerão no Brasil. Eles representam uma estimativa de mortalidade adicional associada às temperaturas provocadas pelo fenômeno, de acordo com o modelo utilizado pelos pesquisadores.

El Niño pode causar 451 mil mortes no mundo

Considerando todos os países analisados, o estudo estima 451 mil mortes adicionais entre junho de 2026 e fevereiro de 2027 associadas ao calor durante o episódio de El Niño. Os maiores impactos devem se concentrar no chamado Sul Global.

“Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas e agora podemos prever o impacto no pior cenário possível: a morte”, afirmou Michael Greenstone, cofundador do Laboratório de Impacto Climático e professor da Universidade de Chicago.

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