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O El Niño pode ganhar ainda mais força nos próximos meses no Paraná
O Paraná deve enfrentar uma maior frequência de períodos de chuva acima da média até o verão 2026/2027. A previsão é de que os volumes elevados possam se concentrar em poucos dias, aumentando a possibilidade de temporais severos, granizo, raios, enxurradas, cheias repentinas, saturação do solo e movimentos de massa.
O El Niño no Paraná já vem apresentando efeitos desde o início do inverno e pode ganhar ainda mais força nos próximos meses, de acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
As regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste são apontadas como aquelas que podem registrar os maiores desvios de chuva em relação à média. A previsão, no entanto, indica chuva acima da média para todas as regiões do estado.
Em agosto, apenas três das 47 estações do Simepar com mais de cinco anos de operação registraram chuva abaixo da média: Cianorte, Maringá e Apucarana. Em Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e no Distrito de Horizonte, em Palmas, os volumes registrados foram os maiores para agosto desde a instalação das respectivas estações, em 2009, 2017 e 2019.
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Já em julho, somente as estações de Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba ficaram abaixo da médica histórica. Nas outras 41 estações, o volume de chuva superou a média.
Em Palmas, foram registrados 311 milímetros de chuva em julho de 2026, o maior volume para o mês desde a instalação da estação, há 28 anos. Também houve recordes de chuva para julho em estações de Altônia, com maior volume desde 2018; Cianorte, desde 2017; Cornélio Procópio, desde 2019; Cruzeiro do Iguaçu, desde 2022; Foz do Iguaçu, desde 2017; e Ubiratã, desde 2018.
Em junho, apenas a estação da Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, registrou volume abaixo da média histórica. Foram 10,2 milímetros a menos que o valor médio para o período.
Além disso, há probabilidade superior a 90% de que o fenômeno seja classificado como muito forte entre a primavera e o verão no Brasil. Entre outubro e dezembro, a previsão indica 75% de chance de que o episódio seja o mais forte entre os El Niños registrados desde 1950.
O pico é esperado entre novembro e janeiro, quando as previsões apontam temperatura da superfície do mar 2,9°C acima da média. Outro conjunto de projeções apresentado no material aponta que a temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4, no Pacífico Equatorial, pode chegar perto de 4°C acima da média entre novembro e dezembro.
O indicador utilizado para acompanhar a intensidade do fenômeno é o Índice Oceânico Niño (ONI), calculado a partir da temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4.
O boletim semanal mais recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) aponta anomalia de +2,7°C nessa área do Pacífico Equatorial Central. O valor caracteriza um episódio de intensidade muito forte.
Já o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que desconta parte do aquecimento observado nos oceanos tropicais, apresentava anomalia de aproximadamente +1,8°C, também indicando um El Niño forte.
O Sul está entre as regiões brasileiras mais influenciadas pelo El Niño. O fenômeno pode favorecer períodos de chuva acima da média e aumentar a ocorrência de episódios de precipitação intensa em determinados períodos.
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem ter atenção ao comportamento das chuvas e das temperaturas durante a primavera e o verão. A evolução do fenômeno pode contribuir para mudanças no padrão de instabilidade atmosférica na região.
No Paraná, o Simepar aponta que o cenário de chuva acima da média concentrada em poucos dias pode elevar o risco de temporais severos, granizo, raios, enxurradas e cheias repentinas, além de saturação do solo e movimentos de massa.
Nos últimos dias, o Estado registrou tempestades que provocaram estragos em diferentes regiões. O El Niño está historicamente associado a chuvas acima da média na Região Sul e ao aumento da frequência de eventos meteorológicos severos, como vendavais intensos, precipitação de granizo, inundações, enxurradas e, consequentemente, deslizamentos de terra.
O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) ocorre na região do Oceano Pacífico equatorial e em áreas próximas. O fenômeno envolve variações anômalas na temperatura da superfície do mar e na circulação atmosférica.
O El Niño corresponde à componente oceânica do fenômeno e representa o aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial em relação à média climatológica. A Oscilação Sul é a componente atmosférica do ENOS e está relacionada às variações na pressão atmosférica ao nível do mar entre as porções oeste e leste do Pacífico tropical.
De acordo com o Simepar, o fenômeno tem capacidade de alterar a circulação atmosférica global e, como consequência, influenciar a temperatura do ar e a precipitação em grandes áreas do planeta por períodos que podem durar de vários meses a anos.
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