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Após chuvas, Brasil pode ter ao menos seis ondas de calor até o fim do ano

Com efeitos do El Niño as ondas de calor extremo podem aumentar no país

Ondas de calor no Brasil
O Brasil pode enfrentar ao menos seis ondas de calor até dezembro de 2026, em um cenário de temperaturas acima da média e efeitos do El Niño. (Foto: Pexels)

O Brasil pode enfrentar ao menos seis ondas de calor até dezembro de 2026, em um cenário de temperaturas acima da média e efeitos do El Niño. A estimativa é do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Segundo o órgão, as ondas de calor se tornaram mais frequentes e passaram a atingir áreas maiores do país nas últimas décadas. O número de episódios até o fim do ano pode ser ainda maior: no último El Niño, entre agosto e dezembro de 2023, o Brasil registrou nove ondas de calor.

Uma nota técnica do Cemaden mostra que a ocorrência desses eventos extremos aumentou em todos os estados brasileiros desde o início dos anos 2000 e tende a se intensificar em períodos de El Niño, como o esperado para o biênio 2026-2027.

O que é uma onda de calor?

Um único dia de temperatura muito alta não caracteriza uma onda de calor. Segundo o critério utilizado pelo Cemaden, baseado na Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno ocorre quando a temperatura máxima fica entre os 10% dos valores mais elevados esperados para uma região e época do ano por pelo menos três dias consecutivos.

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Historicamente, o Brasil registra entre 8 e 14 ondas de calor por ano, com maior frequência nas regiões Sul e Sudeste. Nos últimos anos, porém, os episódios também aumentaram no Norte e Nordeste.

Em 2024, o Amapá chegou a registrar 31 ondas de calor em um único ano. O Distrito Federal teve 28 episódios em 2019, enquanto Mato Grosso do Sul apresenta a maior média histórica do país, com 14,3 eventos anuais entre 1979 e 2025.

El Niño pode aumentar frequência e intensidade do calor

O Cemaden alerta que o El Niño pode favorecer a ocorrência de novos episódios de calor extremo. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e influencia temperaturas e chuvas em diferentes regiões do Brasil.

Segundo a pesquisadora Mabel Calim Costa, especialista em ondas de calor no Cemaden, o cenário observado nos últimos anos reforça o alerta.

“Essa é uma média, mas vimos no último El Niño o país viver nove ondas de calor, com dias extremamente quentes. Com as temperaturas dos oceanos subindo, pode ser que o cenário seja ainda mais intenso e isso traz consequências para o país”, explica.

As mudanças climáticas também contribuem para que esses períodos sejam mais intensos. Com o planeta mais quente, bloqueios atmosféricos que impedem a formação de nuvens e chuva podem provocar temperaturas ainda mais elevadas.

Veja como se proteger das ondas de calor

O calor extremo pode provocar desidratação, tontura, fraqueza, náusea, dor de cabeça e cãibras. Idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças cardíacas, respiratórias, renais ou circulatórias estão entre os grupos mais vulneráveis.

O Ministério da Saúde recomenda beber água regularmente, mesmo sem sentir sede, usar roupas leves, evitar atividades físicas nos horários mais quentes e permanecer em ambientes frescos e ventilados sempre que possível.

Também é importante evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e cafeína e redobrar a atenção com crianças e idosos. Em caso de sintomas intensos provocados pelo calor, a orientação é procurar atendimento de saúde.

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