Tempo e clima

ONU alerta para El Niño “muito forte” e prevê duração até fevereiro de 2027

Em comunicado, secretário-geral da ONU expressou preocupação com o fenômeno e declarou que eventos extremos exigem preparação adequada

El Niño
Oceano Pacífico no dia 3 de agosto de 2026. Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

Uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que o El Niño está “firmemente estabelecido” e deve aumentar seus efeitos nos próximos meses, atingindo um patamar “muito forte”. Ainda segundo o órgão, a chance do fenômeno se estender até fevereiro de 2027 é “próxima dos 100%”.

O El Niño deve atingir seu pico no fim de 2026, entre os meses de outubro, novembro e dezembro. A OMM afirma que as chances de condições neutras no período são praticamente nulas e não há sinal do retorno do La Niña, fenômeno inverso do El Niño. Com isso, riscos elevados de secas, inundações e ondas de calor extremo se estendem ao longo de 2027. 

O El Niño é um fenômeno natural que acontece a cada dois a sete anos e tende a durar até 12 meses. Ele é causado por um enfraquecimento dos ventos alísios que provoca um aumento nas temperaturas do Oceano Pacífico, trazendo chuvas intensas e secas em diferentes regiões da América Latina.

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Em comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação com o aumento das temperaturas nas águas do Oceano Pacífico e disse que o mundo está se tornando uma “zona de perigo do tempo extremo”.

“A ciência não deixa espaço para dúvidas: o planeta está em águas desconhecidas, e essas águas estão esquentando”, declarou.

Segundo medições da OMM, o Pacífico registrou um aumento de temperatura de 1,5 °C entre maio e junho deste ano. Em julho, o aquecimento foi de 2,0 °C e, em agosto, os valores avançaram de 2,2 °C a 2,6 °C. Abaixo da superfície, o acúmulo de calor chegou a atingir mais de 8 °C acima da média em algumas áreas.

Diante da intensidade do fenômeno, Guterres reiterou que eventos extremos exigem preparação adequada. “Não há tempo a perder. Está em curso uma corrida contra o tempo entre os riscos crescentes e a nossa determinação em agir contra as alterações climáticas e proteger as pessoas. É uma corrida que devemos ganhar”, disse.

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