FENÔMENO

Supercélula pode ter causado temporal destrutivo em Maringá

A previsão do Simepar indica que a instabilidade deve continuar no Paraná ao longo da semana

Tempestade em Maringá
A tempestade provocou estragos em diferentes regiões de Maringá (Foto: Reprodução/Rede Massa)

A tempestade que atingiu Maringá, no Norte do Paraná, na madrugada desta segunda-feira (2), pode ter sido provocada por uma supercélula, um tipo de tempestade severa com grande potencial destrutivo. A análise preliminar é do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que cruzou informações de radar e satélite com os danos registrados no município.

O fenômeno está associado a uma linha de instabilidade que ganhou força ao chegar à região. Segundo os meteorologistas, a estrutura observada apresenta características de uma supercélula, tempestade muito organizada que pode produzir ventos extremamente fortes, granizo de grandes dimensões e até tornados.

Como se formam as supercélulas e quais fenômenos podem provocar

As supercélulas se formam em ambientes com forte instabilidade atmosférica e mudanças na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude. Uma de suas principais características é a presença de uma corrente de ar ascendente em rotação, chamada de mesociclone.

Essa organização permite que a tempestade permaneça ativa por mais tempo. De acordo com o Simepar, uma supercélula pode durar até seis horas e percorrer dezenas ou até centenas de quilômetros.

LEIA TAMBÉM

Apesar do potencial de provocar tornados, nem toda supercélula produz esse fenômeno. Os meteorologistas também diferenciam as microexplosões, que ocorrem quando uma corrente de ar frio e muito intensa desce da nuvem e atinge o solo, espalhando ventos destrutivos em diferentes direções.

A confirmação de fenômenos como tornados e microexplosões depende de análises detalhadas, que incluem imagens aéreas, dados de radar e a distribuição dos danos provocados pelo vento. Por isso, a avaliação sobre o temporal em Maringá ainda é preliminar.

Temporal provoca estragos e Maringá decreta calamidade pública

A tempestade provocou estragos em diferentes regiões de Maringá. Rajadas de vento chegaram a 96,8 km/h na estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), às 3h30. O volume acumulado de chuva foi de 51,8 milímetros.

Entre os locais atingidos está o quartel do Corpo de Bombeiros, que teve parte da estrutura destelhada. Árvores caíram dentro da unidade e atingiram cinco viaturas, dificultando inicialmente a saída dos veículos para o atendimento das ocorrências.

Equipes trabalharam para liberar os acessos e permitir a retomada das operações. Bombeiros de Cascavel, Londrina, Ponta Grossa e Curitiba também foram enviados para reforçar os trabalhos de corte de árvores e desobstrução de ruas.

Diante da dimensão dos estragos, a Prefeitura de Maringá decretou calamidade pública e mobilizou diferentes setores para atender as regiões atingidas e avaliar os prejuízos. Um gabinete de gestão integrada também foi organizado com representantes dos governos municipal e estadual.

Temporal atingiu 17 cidades do Paraná

O levantamento preliminar da Defesa Civil Estadual apontou que 17 municípios paranaenses registraram ocorrências relacionadas às tempestades entre domingo (1º) e segunda-feira (2).

Até o final da manhã de segunda-feira, 1.277 pessoas haviam sido afetadas. O balanço também contabilizava nove pessoas desalojadas, 350 residências danificadas e uma casa destruída.

Além de Maringá, Marquinho, na região Centro-Sul, também registrou impactos significativos. No município, uma tempestade acompanhada de ventos fortes e granizo atingiu casas e prédios públicos na tarde de domingo. Segundo a Defesa Civil, 1.080 pessoas foram afetadas e 270 residências sofreram danos.

Para ajudar as famílias, o Corpo de Bombeiros disponibilizou bobinas de lona à Prefeitura, que ficou responsável pela distribuição do material. Não houve registro de vítimas, desabrigados ou desalojados em Marquinho.

Paraná ainda pode ter temporais nesta semana

A previsão do Simepar indica que a instabilidade deve continuar no Paraná ao longo da semana. A formação de um ciclone extratropical na costa da região Sul, associada à chegada de uma nova frente fria, pode favorecer o aumento das chuvas, principalmente entre quarta-feira (4) e quinta-feira (5).

Diante do risco de tempestades, a Defesa Civil orienta a população a acompanhar os alertas meteorológicos e procurar abrigo seguro durante os temporais. Também é importante evitar ficar próximo de árvores, postes, placas e outras estruturas que possam cair com a força do vento.

Para receber alertas gratuitos da Defesa Civil pelo celular, basta enviar o CEP da região por SMS para o número 40199. O cadastro também pode ser feito pelo WhatsApp, no número (61) 2034-4611.

Em situações de emergência, os telefones são 199, da Defesa Civil, e 193, do Corpo de Bombeiros.

Para mais notícias de previsão do tempo, acesse o Massa.com.br.